“Vimos a sua estrela no Oriente, e viemos adorá-Lo!” – Mateus 2, 2b
Por: Luiz Farias Torres
Vivenciamos as alegrias e a solenidade do Natal.
Quanto mais experimentamos e celebramos com o coração, mais perfeitamente aproveitamos as graças dessa solenidade.
Ainda saboreando esse tempo, que manifesta e confirma a profecia e materializa o mistério da Encarnação: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João, 1, 14), já somos convidados a contemplar outros personagens importantes dessa maravilhosa história de amor.
Na noite do Natal além do Menino Jesus que é Deus que se faz homem, precisamos olhar com carinho e solicitude para o casal sagrado – Maria e José.
Hoje nós celebramos com carinho e até com romantismo, esse nascimento. Mas para Maria e José, apesar do privilégio de terem sido as primeiras pessoas humanas a contemplar e adorar o Deus Menino, a experiencia não foi nada romântica.
A começar pela gravidez de risco, não o risco de perder o bebê, mas o risco de ser apedrejada pelos defensores da lei da época, sem contar com a dificuldade de entendimento, compreensão e aceitação inicial de José. Quanto Maria sofreu com essa desconfiança.
Depois, já no final da gravidez, tiveram que enfrentar uma viagem extremamente cansativa para quem estava no nono mês de gestação. Vários dias de caminhadas, no lombo de um burro, noites dormidas ao relento, muito cansaço, perigos e necessidades suportadas. Ao final não encontraram acolhida na cidade. Imagina-se a dor e preocupação de Maria nessa situação.
As mães sabem bem como é estressante, dolorido e cheio de incertezas o momento do parto. Maria, além das dores do parto sentia uma dor maior no coração, sendo mãe do Salvador, era desprezada por toda a humanidade cujo seu filho viria para salvar.
E ainda, poucos dias depois do nascimento, tiveram que novamente fugir às pressas, para uma viagem mais longa, mais penosa, mais perigosa, para uma terra distante e desconhecida, pois agora ela tinha em seus braços o Salvador, e os poderosos conspiravam para matá-Lo.
O tempo do Natal contempla ainda outras celebrações importantes. No domingo seguinte celebramos Maria como “Mãe de Deus”.
Em seguida, celebramos a Epifania do Senhor. Aqui devemos olhar para outros personagens vinculados ao nascimento de Jesus, além dos pastores da região: os reis magos.
De uma terra distante, alguns historiadores falam em até ou mais de 900 km de distância, de várias regiões do oriente, vendo uma estrela diferente no céu, discerniram que era o sinal do nascimento de um rei. Decidiram empreender essa longa viagem para conhecer, presentear e adorar o Deus nascido. Sempre, em todo o trajeto, guiados pela estrela.
A Bíblia nos fala de que em determinado momento, já no final da viagem, a estrela desapareceu da vista deles. Dá a entender, que com o desaparecimento da estrela eles decidiram procurar no palácio real, seguindo a lógica humana: reis nascem, em palácios.
Mas, nesse ponto me faço uma pergunta que não vejo ninguém fazer:
- Os magos decidiram procurar no palácio porque a estrela desapareceu e ficaram desorientados?
- Ou a estrela desapareceu porque eles, seguindo a lógica humana, já haviam decidido antes que procurariam no palácio real, sem prestar atenção na estrela que até então os guiava? E por isso, tendo sido dispensada, a estrela deixou de ser vista?
Resumindo a pergunta: A estrela desapareceu antes ou depois da decisão de ir ao palácio?
A estrela representava a vontade de Deus, que queria ser adorado pelos reis do oriente, simbolizando a universalidade do seu reinado, por isso a estrela os guiou. Os magos fizeram a vontade de Deus até aquele momento, agora estavam na encruzilhada de continuar fazendo a vontade de Deus, seguindo a estrela, ou seguir a lógica humana e ir direto ao palácio real.
Quando decidimos por seguir a lógica humana, excluímos Deus e os seus sinais da nossa vida e da caminhada, nos perdemos e nos desviamos do caminho por Ele indicado.
E isso traz consequências que podem ser desastrosas para nós e para outros inocentes.
Herodes foi pego de surpresa, não tinha conhecimento da profecia, questionou os sábios e recebeu a confirmação da profecia que despertou nele os piores sentimentos e o medo de perder o trono e o poder.
Dando vazão à sua maldade e crueldade, arquitetou o plano de matar esse rei nascido, sabe-se lá onde, e há quanto tempo. Tentou enganar os magos pedindo que o avisassem a respeito do menino, quando o encontrassem, mas os magos, avisados em sonho, não retornaram a Herodes.
Conhecemos a história e de como aconteceu o primeiro infanticídio. Todas as crianças foram dizimadas, na esperança de que entre elas estivesse o rei menino.
Uma tragédia anunciada desde a antiguidade pela voz do profeta Jeremias: “Ouve-se em Ramá uma voz, lamentos e amargos soluços. É Raquel que chora os filhos, recusando-se ser consolada, porque já não existem” (Jeremias 31, 15).
Vamos entrar, por um momento, na esfera das suposições e probabilidades:
Se os magos tivessem seguido a estrela e não tivessem procurado Herodes, ele não ficaria sabendo do nascimento e consequentemente não teria cometido essa barbárie.
Alguns podem, como acontece ainda hoje, pensar ou questionar porque Deus quis essa barbaridade.
É preciso diferenciar o querer de Deus e o permitir de Deus.
O querer de Deus era ser adorado pelos magos e por isso os guiou até o local do nascimento.
Como a sua vontade não foi cumprida até o final, vieram as consequências.
Como Deus nos criou com o livre arbítrio, decidimos se obedecemos ao seu querer, ou se fazemos de acordo com o nosso querer. Nesse caso veem as consequências que quase sempre são de sofrimento e dor, que recaem sobre os menos favorecidos e indefesos. Aí entra o permitir de Deus.
Não é o que Ele quer, é o que nós queremos, obedecendo nossa vontade ou nossa lógica humana. Deus, mesmo sem querer, o permite, respeitando o nosso livre arbítrio.
O querer de Deus, nesse caso, foi o de evitar, de formas inexplicáveis que o Menino fosse morto, avisando do risco, protegendo na fuga, fortalecendo na caminhada e provendo as necessidades de uma mãe e de uma criança recém nascida. Como consequência, muitas crianças morreram em seu lugar, como preço da fúria assassina de um ser humano completamente sem Deus. Aí vemos o permitir de Deus.
Deus não quer o mal para nós, Ele só deseja o bem e a nossa salvação.
Mas, quando nós fazemos as opções erradas, e escolhemos deixar a estrela de lado e seguir nossos instintos, e a nossa lógica, atraímos sobre nós as consequências que são pessoais e muitas vezes coletivas.
O ciclo do Natal encerra-se no domingo seguinte com a celebração do Batismo de Jesus nas águas do Rio Jordão, que será tema da nossa próxima reflexão.
Aprendamos as lições do Natal, deixemos que a estrela do Senhor nos guie sempre pelos caminhos e para o lugar indicado por Ele. Não permitamos que a estrela desapareça, por causa das nossas decisões equivocadas e erradas.
Que vivamos os ensinamentos do Natal em cada dia do ano novo que iniciamos.






