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“Vimos mais uma vez a fé cristã ser escarnecida e vilipendiada durante as festividades do Carnaval, especialmente no desfile da Marquês de Sapucaí no Rio de Janeiro”, disse o bispo de Formosa (GO), dom Adair José Guimarães, em sua homilia na missa de Quarta-feira de Cinzas (18), na catedral de Formosa. “Sob o pretexto de arte e liberdade de expressão, assistimos a um ataque deliberado aos valores mais sagrados para nós, com um deboche particular, dirigido à família tradicional, à família conservadora, pilar da sociedade e santuário da vida”.
Segundo o bispo de Formosa, os cristãos não podem “entrar neste tempo de conversão, ignorando o mundo que nos cerca” porque “ser cristão é ter os pés na terra e o coração no céu”.
“E a terra em que pisamos, nosso amado Brasil, clama por uma voz profética. O profeta não é aquele que prevê o futuro, mas aquele que interpreta o presente à luz da Palavra de Deus e tem a coragem de denunciar o pecado e anunciar a verdade, mesmo que isso lhe custe a aceitação do mundo”, disse dom Adair.
Dom Adair comentava o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, no domingo (15), que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marquês de Sapucaí. A ala Neoconservadores em Conserva era formada por foliões fantasiados de latas de conserva trazendo no rótulo das latas a imagem de uma família tradicional, formada por um pai, uma mãe e dois filhos.
Segundo o roteiro apresentado pela Acadêmicos de Niterói, “os chamados ‘neoconservadores’” são “um grupo que atua fortemente em oposição a Lula, votando contra a maioria das pautas defendidas por ele, como privatizações e o fim da escala de trabalho 6×1”.
A Acadêmicos de Niterói ficou em último lugar e foi rebaixada do Grupo Especial para a Série Ouro em 2027.
“O movimento em ascensão no Brasil passou a se associar, dentro do campo político, aos seguidores da extrema direita”, disse a escola de samba destacando que “a fantasia traz uma lata de conserva, com uma defesa da dita família tradicional”, e “na cabeça dos componentes, há uma variação de elementos para enumerar os grupos que levantam a bandeira do neoconservadorismo. São eles: os representantes do agronegócio, os defensores da Ditadura Militar e os grupos religiosos evangélicos”.
Dom Adair comentou que houve “uma crítica também azeda ao produtor do campo, que abastece com seus muitos impostos, os cofres desse governo”
Para dom Adair, “o que torna esse estardalhaço ainda mais grave, ainda mais revoltante é saber que todo esse deboche da família, dos trabalhadores, todo esse incentivo à cultura do ódio, toda essa divisão cada vez mais profunda em nosso Brasil foi patrocinado pelo dinheiro público”.
“Um governo que não educa, que não cuida da saúde, que não oferece segurança, quis fazer daquele momento um momento político, um momento eleitoral, uma campanha presidencial antecipada”, disse o bispo.
Para dom Adair, o desfile “não é um fato isolado, mas o sintoma de um projeto cultural que busca desconstruir a identidade de nosso povo, uma identidade que foi forjada sob o signo da cruz de Cristo”.
Para o bispo, “a realidade que nós estamos vivendo há tanto tempo no Brasil promove-se uma situação onde não há limites, onde a moral objetiva é substituída pelo capricho individual, onde os filhos e pais fazem o que querem, gerando não a liberdade, mas a escravidão do egoísmo e do pecado, triste realidade aos nossos olhos”.
“Em contrapartida, a família, que a fé nos ensina a valorizar é a família tradicional”, ressaltou. “É aquela que, resguardada a dignidade e a complementaridade do homem e da mulher, unidos pelo sacramento do matrimônio, gera e forma os seus filhos para a santidade”.
“É o lugar onde os pais, como primeiros educadores, se esmeram na formação humana e cristã de seus filhos. É ensinando-lhes pelo exemplo o amor, o respeito, o sacrifício e acima de tudo a fé em Deus que significa também trabalho e honestidade. É esses valores, estes dons que promovem o alicerce de uma sociedade onde homens e mulheres não se corrompem”, enfatizou.
A família que Deus quer é a ‘célula mater’
Dom Adair ainda disse que “a corrupção avassaladora que estamos assistindo nesses últimos tempos” no Brasil “advém justamente dessa mentalidade medíocre estabelecida pela revolução cultural marxista que desconstrói a família, persegue a fé, promove o aborto, promove a ideologia de gênero, promove o estrangulamento da sociedade ocidental”.
Segundo o bispo, “a família que Deus quer é esta família célula mater”.
“Que a imposição das cinzas sobre nossas cabeças, seja para cada um de nós um sinal de nosso compromisso de conversão pessoal, de rasgar o coração e voltar-se ao Senhor”, disse o bispo. “Mas que seja também um compromisso de testemunho público, que não nos envergonhamos do Evangelho, que o defendamos com coragem e clareza expondo, meus irmãos, o poder da verdade sobre o matrimônio e a família”.
Ao final de sua homilia, dom Adair pediu aos católicos que “ao longo desta Quaresma, que a meditação da Palavra de Deus, as orações, a via sacra, a frequência aos sacramentos e as obras de caridade que nós faremos em favor dos pobres, dos desvalidos, nos purifiquem e nos preparem para a Páscoa”.
“E que fortalecidos por esse tempo de graça, possamos responder com a nossa vida a pergunta que os pagãos faziam aos cristãos no início da igreja: ‘Onde está o Deus deles?’. Que possam ver em nossas famílias, os pagãos de hoje, em nossas comunidades, a nossa firmeza da fé, a nossa perseverança viva ao Deus vivo que é benigno, compassivo, paciente e cheio de misericórdia”.





