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Leão XIV é um homem simples que só quis sapatos pretos, diz sapateiro dos papas

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O sapateiro italiano Adriano Stefanelli empresta seu talento à Santa Sé há cerca de duas décadas. O primeiro papa para quem ele fez um par de sapatos foi são João Paulo II, seguido pelos papas subsequentes até Leão XIV.

Tudo começou numa noite em que ele trabalhava concentrado à mesa em sua pequena oficina na cidade italiana de Novara, quando viu na televisão que o papa polonês, já muito fraco, havia sofrido um desmaio na Via Sacra.

“Isso teve um impacto profundo em mim”, disse o artesão à ACI Prensa, agência em espanhol da EWTN. “Me perguntei: o que posso fazer por ele? E pensei: se sei fazer sapatos, farei alguns sapatos para ele”.

Leão XIV é um homem simples que só quis sapatos pretos, diz sapateiro dos papas
O primeiro papa a quem Stefanelli confeccionou sapatos foi João Paulo II, em 2004. Cortesia Adriano Stefanelli

Sem contatos ou intermediários, ele calculou de cabeça o tamanho papa, observando sua constituição física e escolheu 44. Ele desenhou um modelo particularmente macio, forrado com esponja para garantir o máximo conforto, e enviou os sapatos ao Vaticano. “Serviram perfeitamente”, diz o sapateiro. “Foi extraordinário”.

Era o ano de 2004. Aquele primeiro par de sapatos agora está guardado no Museu do Castelo de Santo Ângelo, em Roma, como testemunho da confiança que os papas depositaram nesse artesão de uma pequena cidade do norte da Itália desde então. 

Leão XIV é um homem simples que só quis sapatos pretos, diz sapateiro dos papas
Esses sapatos vermelhos de são João Paulo II estão conservados em um museu perto do Vaticano. Cortesia Adriano Stefanelli

Bento XVI e os famosos mocassins vermelhos

Depois da morte de são João Paulo II, em 2005, o secretário do papa polonês na época, Monsenhor Stanisław Dziwisz, perguntou a Stefanelli se ele desejava continuar seu trabalho como sapateiro do papa Bento XVI. A Santa Sé confirmou o número do papa alemão, 42, e ele começou a trabalhar.

Foi assim que surgiram os famosos mocassins vermelhos de Bento XVI, sapatos que se tornaram mundialmente famosos. A revista americana Esquire chegou a nomeá-lo “o homem mais elegante do planeta”. A cor marcante não se devia a um capricho estético, mas sim a uma tradição de sapatos do papa.

Para a Igreja, o vermelho sempre simbolizou o sangue dos mártires que deram a vida por Cristo. “Eles eram completamente lisos”, diz o sapateiro. “O estilo estava na forma e na cor”.

A diferença entre os sapatos do papa polonês e os do papa alemão, diz ele, não estava na qualidade — sempre a mais alta —, mas nos pequenos detalhes: “João Paulo II queria uma meia sola de borracha; Bento XVI, só de couro”. 

Leão XIV é um homem simples que só quis sapatos pretos, diz sapateiro dos papas
Stefanelli entrega os mocassins vermelhos a Bento XVI. Cortesia Adriano Stefanelli

Com o papa Francisco, a situação era diferente. Seus problemas ortopédicos o impediam de usar calçados tradicionais. “Eu não fabrico sapatos ortopédicos”, diz Stefanelli. “Então fiz para ele uns chinelos para que pudesse andar pelo Vaticano com o brasão papal bordado neles”.

“Foi um gesto simbólico”, diz o sapateiro. 

Leão XIV: Sapatos simples e pretos

A encomenda mais recente foi para Leão XIV. Em agosto, Stefanelli entregou dois pares de sapatos brancos, forrados e com detalhes em amarelo, numa alusão às cores da Santa Sé. “Ele não gostou muito”, diz o sapateiro. 

“Ele é um homem simples”, diz ele. “Queria os sapatos só em preto”.

O papa então lhe disse seu número: 9,5 nos EUA, equivalente a 42,5 na Itália. O artesão refez o modelo, respeitando os desejos do papa, e em 7 de janeiro entregou pessoalmente o par de sapatos finalizado. 

Leão XIV é um homem simples que só quis sapatos pretos, diz sapateiro dos papas
Esses são os sapatos brancos que Leão XIV recusou. Cortesia Adriano Stefanelli

“Dessa vez ele ficou muito feliz. Conversamos por uns quinze minutos”, diz o sapateiro. “Eu me desculpei pelos sapatos brancos, mas ele levou a situação com naturalidade”.

Sapateiro e defensor apaixonado dos ofícios tradicionais, Stefanelli representa uma Itália que se recusa a desaparecer.

“Hoje tudo é tecnológico”, lamenta ele. “Os jovens já não querem ser sapateiros, carpinteiros ou alfaiates”.

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