| “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitencia e crede no Evangelho” – Marcos 1, 15 |
Conscientes da importância que a Páscoa tem para a sua vida, os cristãos desde os tempos apostólicos começaram a celebrá-la e bem cedo começaram também a reservar um tempo de preparação para a celebração do Mistério Pascal.
Devido a essa importância, entendeu-se a necessidade de dedicar um maior tempo possível à preparação. Assim, com o passar do tempo, acabou por se fixar, no século IV, em quarenta dias, número muito rico de simbolismo. Na verdade, na História da Salvação, os grandes acontecimentos e os encontros decisivos do homem com Deus estão ligados a esse número, que na Bíblia exprime também a totalidade da nossa vida.
Quaresma é, portanto, um período de quarenta dias de preparação para a Páscoa, «a maior das solenidades, pois atualiza o Acontecimento culminante da História da Salvação.
Portanto a quaresma é um verdadeiro retiro espiritual que a Igreja propõe anualmente como itinerário para a celebração da Páscoa.
Como esta é a maior solenidade do cristianismo, preparar-se bem significa dar maior honra ao mistério da ressurreição do Senhor.
Era durante este tempo, tempo de salvação, que os adultos, que haviam encontrado Cristo e se vinham iniciando, ao longo de três ou quatro anos, no Mistério cristão, terminavam o seu catecumenato. Amparados por toda a comunidade, no início da Quaresma, começavam a sua “prova final” e empreendiam uma preparação mais intensa para finalmente oficializarem a sua incorporação em Cristo, pelo Batismo que era ministrado na celebração solene da Ressurreição, na noite pascal.
Por seu lado os cristãos, que haviam vivenciado essa etapa e recebido a unção Batismal em Cristo, pelas mãos da Igreja, fazendo a opção de passar da morte do pecado para a vida do Espírito, esforçavam-se por fazer uma séria revisão da sua vida cristã, morrendo mais profundamente para o mal, consolidando a sua perfeição de Batizados, crescendo na vida divina, de modo a participarem, mais intensa e vitalmente, no Mistério Pascal da Morte e Ressurreição do Senhor.
Dessa forma a Quaresma envolve as duas dimensões essências da nossa vivência cristã: a dimensão Batismal, e a dimensão Penitencial, que devem ser fortalecidas e apoiadas pela Catequese (anúncio/ensino da Palavra de Deus) e pela oração, conforme nos ensina a Igreja em sua Constituição Dogmática Sacrossanctum Concilium – 109, “Ponham-se em maior realce, tanto na Liturgia como na catequese litúrgica, os dois aspectos característicos do tempo quaresmal, que pretende, sobretudo através da recordação ou preparação do Baptismo e pela Penitência, preparar os fiéis, que devem ouvir com mais frequência a Palavra de Deus e dar-se à oração com mais insistência, para a celebração do mistério pascal”
- Na sua dimensão penitencial, a Quaresma é, para catecúmenos e batizados, tempo de tomada de consciência dos seus pecados, tempo de busca de Deus, tempo de conversão, o que implica, necessariamente, participação na luta e sacrifício de Cristo, pois a guerra contra o mal e a renovação interior no pensar, no amar e no agir, não se realizam sem esforço.
- Na sua dimensão batismal, a Quaresma leva todos os batizados a reviverem e a aprofundarem, acompanhando o dinamismo dos catecúmenos, todas as etapas do caminho da fé, a fim de, consciente e generosamente, renovarem a sua aliança com Deus, juntamente com aqueles que a contraem no Batismo, na noite de Páscoa.
Nesta caminhada espiritual, que é a Quaresma, somos alimentados pela Palavra de Deus, a qual nos faz reviver as grandes etapas da História da Salvação e as figuras que as encarnam e nos acompanham a partir de uma verdadeira caminhada histórica – litúrgica – espiritual.
Como já refletimos, na Quaresma, somos convidados a empreender um Retiro Espiritual de fortalecimento da fé e dos propósitos de conversão, por isso a Liturgia nos conduz, apresentando de forma didática toda a caminhada do Povo de Deus, que vive e peregrina com suas quedas e sofrimentos, alimentando a esperança do cumprimento da Promessa.
ITINERÁRIO LITURGICO DA QUARESMA
Quarta feira de Cinzas
Leituras: Chamdo à conversão e à penitencia
Evangelho: Mateus 6, 1-6 e 16-18 = Praticar as virtudes no silencio do corasção, não para aparecer.
1º Domingo da Quarresma
Leituras: Criação-apresentando Adão como o persomnagem central da criação, pecado e graça da promessa
Evangelho: Mateus 4, 1-11 è Jesus tentado no deserto – opção de adorar e servir somente a Deus;
2º Domingo da Quaresma
Leituras: Abraão-personagem central da promessa e sua vocação como pai da humanidade redstaurada.
Evangelho: Mateus 17, 1-9 – Transfiguração de Jesus no monte Tabor, revelação da sua divindade.
3º Domingo da Quaresma
Leituras: Moisés figura da libertação da escravidão, instrumento para a implantação da lei de Deus.
Evangelho: João 4, 5-42 – Evangelização da samaritana – Cristo, fonte de água viva e de conversão.
4º Domingo da Quaresma (Domingo Laetare)
Leituras: Davi e o reinado messianico, prefigurando o reinado eterno e universal de Jesus.
Evangelho: João 9, 1-41 – Cura do cego de nascença. Revelação de Jesus como Filho de Deus.
5º Domingo da Quaresma
Leituras: Ezequiel – profecias de consolação e revelação
Evangelho: João 11, 1-45 – Ressurreição de Lázaro. Se creres verás a glória de Deus, pois quem crer jamais morrerá.
Domingo de Ramos (início da Semana Santa)
Leituras: Isaias e seu Poema do servo sofredor
Evangelhos: Mateus 21, 1-11 Entrada triunfal de Jesus em Jerusalem – Procissção dos ramos – Hosana ao Filho de Davi
Mateus 26, 14-27 e 66 – Primeira proclamação da Paixão.
Em nosso próximo artigo, continuaremos a refletir sobre esse tempo quaresmal tão rico para a nossa caminhada, e refletiremos sobre um roteiro quaresmal com ênfase nas atitudes, ações, propósitos e propostas de conversão e penitencia (jejum, oração, caridade, leitura e exercícios espirituais, combate aos vícios, mortificação e confissão) que a Igreja nos propõe para vivenciarmos bem e nos prepararmos da melhor forma possível para a celebração da Paixão e Morte de Jesus Cristo, culminando com a solene celebração da sua Ressurreição.
Ao vivenciarmos diligentemente as reflexões deste tempo rico de meditações e exemplos de fé, a cada passo, estaremos nos preparando exteriormente e interiormente para a celebração digna e repleta de graças e indulgências da Páscoa, e assim, poderemos, a uma só voz, clamar e proclamar junto com os irmãos e com a Igreja, a grande notícia que nos conforta e consola, anunciada pelos anjos às mulheres logo ao amanhecer: “Não temais! Sei que procurais Jesus que foi crucificado. Não está aqui, ressuscitou como disse. Vinde e vede o lugar em que Ele repousou” (Mateus 28, 5-6) e assim experimentarmos a alegria e a graça de encontrarmos o túmulo vazio, como Pedro e João, naquela manhã do primeiro dia da semana.
Preparemo-nos bem, para anunciar com convicção e no poder do Espírito Santo, a grande notícia que o mundo precisa ouvir e crer: “ELE RESSUSCITOU”!






