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O papa Leão XIV lamentou hoje que a oração esteja se perdendo nas famílias cristãs e que muitos a vejam como algo “inútil”, por isso pediu sua redescoberta “na sua verdade”.
“Até em muitas famílias cristãs já não se verifica a transmissão da oração, enquanto numerosas pessoas correm o risco de a confundir com uma técnica entre outras, de natureza psicológica e orientada para o bem-estar pessoal ”, disse o papa na audiência geral de hoje.
Leão XIV, que suspendeu sua agenda no mês passado para as férias de verão, retomou seus compromissos públicos hoje, mas, por causa do calor do verão romano, a oracao foi dentro da basílica de São Pedro, no Vaticano.
O papa centrou a sua reflexão na constituição Sacrosanctum concilium, do Concílio Vaticano II (1962-1966) que trata de liturgia.
Ele lamentou que, numa sociedade “nos contextos dominados pela mentalidade eficientista e consumista”, a oração possa passar a ser vista como algo “inútil e irrisório”.
“Num mundo em que a ciência e a técnica pretendem dar todas as respostas, rezar pode parecer uma forma de evasão”, disse Leão XIV.
“A oração, enquanto dimensão fundamental da nossa humanidade, merece ser redescoberta na sua verdade”, disse o papa.
Leão XIV disse que a constituição Sacrosanctum concilium levou essa necessidade a sério.
Ele citou o papa são Paulo VI na basílica de São Pedro, no Vaticano, em 4 de dezembro de 1963, ao promulgar o primeiro documento aprovado pelo Concílio Vaticano II: “«Deus, em primeiro lugar; a oração, a nossa primeira obrigação; a Liturgia, fonte primeira da vida divina que nos é comunicada, primeira escola da nossa vida espiritual» (Discurso, basílica de São Pedro, 4 de dezembro de 1963)”.
Como disse o papa, na constituição conciliar o termo “oração” designa toda a liturgia.
A liturgia, disse ele, é apresentada como o lugar do “encontro” e da iniciativa de Deus, que se aproxima da humanidade em Seu Filho, “«Verbo feito carne, ungido pelo Espírito Santo» (SC, 5)”.
A essa iniciativa divina, os fiéis podem responder “por Cristo, com Cristo e em Cristo, na unidade do Espírito Santo”, ou seja, através da “«oração que Cristo, unido ao seu Corpo, eleva ao Pai» (SC, 84)”, disse Leão XIV, citando a constituição conciliar.
A importância da Liturgia das Horas
Por isso, ele disse que são Paulo VI desejava ardentemente que a Liturgia das Horas, a oração pública diária da Igreja e inseparável da Eucaristia, permeasse, revitalizasse, guiasse e expressasse toda a oração cristã, alimentando eficazmente a vida espiritual do povo de Deus.
O papa disse que, para que esse desejo se torne realidade, a Liturgia das Horas deve ser cada vez mais acolhida e vivida no cotidiano dos batizados e das comunidades.
“A Liturgia das Horas santifica o tempo de nossas vidas diárias: pela manhã, começamos o dia com alegria e gratidão; ao meio-dia, pedimos a força da fidelidade em meio à fadiga; à tarde, quando o trabalho termina, as Vésperas nos acompanham ao pôr do sol; à noite, vamos dormir confiando-nos à paz de Deus”, disse ele.
Leão XIV disse também que a Liturgia das Horas pode se tornar uma verdadeira escola de oração para aqueles que desejam aprender a rezar, especialmente os catecúmenos.
“A tantas pessoas que desejam aprender a rezar, em particular aos catecúmenos, ela pode oferecer o caminho e a escola da oração cristã”, concluiu o papa.





