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A reestruturação da cúria do papa Leão XIV

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O papa Leão XIV voltou ao Vaticano depois de um mês de férias em Castel Gandolfo, e uma série de decisões importantes o aguardam. Nem todas são urgentes, mas o que ele decidir em cada uma delas dirá muito sobre como o papa pretende conduzir seu pontificado.

Essas decisões serão submetidas ao escrutínio de muitos, a começar por aqueles na Santa Sé que continuam a defender as decisões do papa Francisco em relação à reforma da Cúria.

O risco é que o papa em breve se depare com resistência em relação às próximas nomeações e à organização da Cúria Romana. Pode até haver alguns rumores — alguns deles vindos de figuras importantes — sobre o abandono ou a traição do projeto do papa Francisco de reforma da Cúria, expresso na constituição apostólica Praedicate Evangelium, publicada em 2022.

Então, quais são essas decisões?

Em primeiro lugar, vários chefes de dicastérios já atingiram a idade de aposentadoria e precisam ser substituídos.

São eles: o prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, cardeal Marcello Semeraro; o prefeito do Dicastério para o Culto Divino, cardeal Arthur Roche; o prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cardeal Kurt Koch; e o prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, cardeal Kevin Farrell.

Em novembro, o cardeal Lázaro You, prefeito do Dicastério para o Clero, também completará 75 anos.

Até o momento, Leão XIV tem atuado de modo consistente em todos os dicastérios onde foi chamado para fazer substituições geracionais. A única exceção é o Dicastério para a Comunicação, onde escolheu Montse Alvarado, atual presidente e diretora de operações da EWTN News, que, a partir de novembro, será responsável pela complexa estrutura de comunicação da Santa Sé.

No mais, não houve grandes surpresas. Leão XIV tem mantido um perfil bastante discreto, o que funciona bem para todas as questões importantes.

Mas surgiram rumores sobre outra possível mudança, dessa vez no cargo de secretário de Estado da Santa Sé.

O atual secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin, teve até agora a absoluta confiança do papa e está a cerca de três anos de completar 75 anos. Mas o papa pode preferir alguém de sua própria escolha para liderar a secretaria de Estado.

Já se especula bastante sobre quem será o novo secretário de Estado, mas pouco se fala sobre o que o Cardeal Parolin poderá fazer. Aos 72 anos, qualquer nova designação seria incompleta, mesmo com uma prorrogação até ele completar 77 anos, pois não haveria tempo para reformas e ações concretas.

Mas existe a possibilidade de o cardeal Parolin substituir o cardeal Fernando Filoni, agora com mais de 80 anos, como grão-mestre da ordem equestre do Santo Sepulcro. O cargo teria um perfil internacional e diplomático e seria uma transição ideal para a aposentadoria.

Isso também evitaria a nomeação do cardeal Parolin para um cargo no qual ele não pudesse completar seu mandato de cinco anos.

A Santa Sé prefere nomear bispos para cargos de chefia que possam completar seu primeiro mandato de cinco anos.

Alguns dizem que o cardeal Parolin poderia ser substituído pelo arcebispo Paul Richard Gallagher, atual secretário para as Relações com os Estados da Santa Sé. Mas isso é improvável, pois Gallagher já tem 73 anos e, assim, cumpriria só dois anos de mandato antes de se aposentar.

Um momento para especulação

Crescem as especulações sobre a nomeação do bispo Erik Varden como prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Outras nomeações que circulam são a transferência do cardeal Mauro Gambetti do cargo de arcipreste da basílica de São Pedro para o de bispo de Chieti, Itália, e a nomeação do bispo Guido Marini como arcipreste da basílica de São Pedro, no Vaticano.

Mas é muito difícil distinguir entre meras expectativas e informações reais, porque a verdade é que ainda se sabe pouco sobre o modo de governar de Leão XIV.

É por isso que esses próximos compromissos — e eles virão, alguns mais cedo e outros mais tarde — são tão interessantes.

Até agora, Leão XIV tem favorecido a continuidade, com a única exceção do dicastério para a Comunicação.

Exemplos disso são o arcebispo Filippo Iannone, sucessor do próprio Leão XIV no Dicastério para os Bispos. Para o Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, Leão XIV escolheu uma mulher, a freira Alessandra Smerilli, que já era secretária, e promoveu o cardeal Fabio Baggio, subsecretário, a pró-prefeito.

Com essa medida, Leão XIV manteve a “cota feminina” do dicastério, mas também pôs fim à distribuição assimétrica de cargos e honrarias, já que era objetivamente estranho que o subsecretário de um dicastério também fosse cardeal.

Resta saber se o papa dará continuidade a esse padrão, deixando as decisões para a velha guarda do pontificado anterior.

Vale mencionar que o papa Leão XIV era membro dessa velha guarda — embora tenha ingressado nela tardiamente — tendo servido como prefeito do Dicastério para os Bispos por dois anos.

Existe uma confiança generalizada na capacidade do papa de desempenhar as funções do seu novo cargo, mas resta saber se essa opinião positiva resistirá à reestruturação da Cúria.

O risco para Leão XIV é que cada nomeação percebida como disruptiva minará a autoridade de cardeais e bispos, levando-os a atacar o pontificado e a criar uma opinião pública desfavorável.

Não é que o papa se importe com a opinião pública, mas parte de seu mandato — ou, como ele entende, de sua missão — é “acalmar os ânimos” na Igreja, em Roma e no mundo todo. O impacto que suas decisões terão sobre os membros da Cúria Romana e sobre as pessoas em geral não deve ser subestimado.

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