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Papa aborda o crescimento do catolicismo na França secular

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O papa Leão XIV se reuniu hoje (26) com novos e futuros católicos e seus líderes, ao mesmo tempo em que incentivou a Igreja na França a “encontrar um sábio equilíbrio” entre acolher novos membros tal como são e educá-los nos princípios da fé.

“Pode parecer paradoxal que este fenômeno, em que tantas pessoas redescobrem o Evangelho e abraçam a fé, aconteça no contexto de uma sociedade como a francesa, marcada por uma cultura fortemente secularizada”, disse o papa no Instituto Católico de Paris.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística da França, mais da metade dos adultos franceses declara não ter filiação religiosa. Embora 29% da população se identifique como católica, a pesquisa revelou que apenas 8% afirmam frequentar a Igreja regularmente.

Apesar disso, a Igreja Católica continua registrando números recordes de batismos a cada ano. Em 2026, a França registrou mais de 20 mil batismos de adultos e adolescentes, um aumento de 20% em relação ao número já recorde de 2025, que registrou um aumento de 45% em relação aos números de 2024.

O papa disse que as pessoas se aproximam da Igreja por diversos motivos, desde a busca por sentido até dificuldades pessoais.

A Igreja deve acolher os recém-chegados, ajudando-os a abraçar as exigências da vida cristã, disse.

Leão visitou o salão da universidade católica onde a nova Assembleia Eclesial Provincial da Île-de-France realizará suas três sessões a partir de meados de outubro.

O arcebispo de Paris, dom Laurent Ulrich, disse em seu discurso de boas-vindas que mais de 350 pessoas, provenientes de oito dioceses da Província de Paris e do Ordinariado Militar, se reunirão para um debate sinodal sobre “Catecúmenos e Neófitos: Novas Perspectivas para a Vida da Nossa Igreja em Nossas Dioceses”.

Ulrich destacou que 45 mil pessoas responderam à consulta realizada pela assembleia.

“Esse renovado interesse pelos sacramentos da iniciação cristã foi uma surpresa para nós, e vemos nisso a obra do Senhor”, disse o arcebispo.

Leão XIV disse que o aumento no número de batismos deve ser acolhido como obra do Espírito Santo.

Referindo-se ao crescimento sustentado das conversões como a “imprevisível obra de Deus”, Leão XIV encorajou a Igreja de Paris a se perguntar para onde o Espírito Santo a está conduzindo no que diz respeito ao acompanhamento de novos católicos e de quem busca a fé.

Ele disse aos catecúmenos e aos católicos recém-batizados que eles representam a esperança para o futuro da Igreja na França.

Loïs Barbichon, um novo católico de 22 anos, disse à EWTN News que se converteu durante a pandemia da covid-19, “principalmente por meio da leitura”.

“Senti uma espécie de impulso interior, um desejo de ser batizado e de aprender mais”. Ele foi batizado na Vigília Pascal de 2023 e agora acompanha outros jovens que estão ingressando na Igreja.

“Agora, o objetivo é garantir que cada pessoa recém-batizada encontre uma missão, para que não se sinta abandonada pela comunidade, mas sim encontre seu lugar nela”, disse ele. “Hoje, estou envolvido principalmente nas leituras das Escrituras durante a missa, e estou muito feliz com isso”.

Sobre a visita do papa Leão à França, Barbichon, que estuda história, patrimônio e museologia, disse que “é muito importante que ele consiga se comunicar com os jovens”.

A irmã Christine Kohler participará da assembleia como representante dos religiosos e religiosas da França.

Ela é superiora geral das Pequenas Irmãs do Evangelho e mora na diocese de Saint-Denis, um subúrbio ao norte de Paris, às vezes descrito como um “quartier sensibile” (bairro vulnerável).

“Na Páscoa, batizamos 20 pessoas durante a Vigília Pascal em uma única paróquia da diocese de Saint-Denis”, disse ela à EWTN News. “Acho que foram mais de 500 no total em toda a diocese. Isso é algo que nos levanta muitas questões. Como é possível que adultos e adolescentes, às vezes com 18 anos e às vezes com 70, estejam dizendo: ‘Gostaria de me tornar cristão’?”.

Kohler disse que muitos recém-chegados vêm depois de fazer perguntas sobre o sentido da vida, o sofrimento e Deus.

Uma mudança que a irmã observou na França nos últimos 15 anos é um maior impulso missionário entre os católicos locais.

“Não se trata mais simplesmente de: ‘Eu vivo minha fé e a vivo dentro da minha paróquia’. Agora existe esse desejo de compartilhá-la, de nos tornarmos discípulos missionários… esse desejo de dar testemunho e dizer: ‘É isso que nos dá vida’”.

Ela disse que espera que a assembleia ajude a Igreja a se tornar mais acolhedora para os recém-chegados.

Na opinião dela, a presença do papa na manhã de hoje pode ter surgido não apenas do desejo de encorajar a assembleia sinodal, mas também de ouvir e compreender melhor as “pessoas que estão questionando, buscando e querendo se tornar cristãs”.

Durante o evento, um catecúmeno (batizado, mas ainda não crismado), uma nova católica e um diretor de iniciação cristã falaram sobre suas experiências ao papa Leão.

A nova católica Marielle descreveu o desafio de encontrar seu lugar na comunidade após ingressar formalmente na Igreja. Um jovem, Jaoide, compartilhou sobre o caminho sinuoso que percorreu para chegar ao seu batismo no ano passado. Ele disse que sua jornada começou quando leu tanto o Alcorão quanto o Novo Testamento.

“Fiquei impressionado com a figura de Jesus”, disse, “acima de tudo, com sua determinação em nos dar o exemplo por meio de sua vida e das provações que enfrentou até o fim”.

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