Acidigital
Um costume em muitas igrejas durante a Quaresma é cobrir as imagens e os crucifixos com um pano roxo. É tradição da velatio, latim para “velação”. O objetivo, segundo o padre Rafhael Silva Maciel, da arquidiocese de Fortaleza (CE), é focar a atenção em Jesus.
“Esse costume mostra que toda beleza das imagens é escondida para que nada possa tirar a atenção dos fiéis do Cristo que iniciará seu caminho de cruz até o calvário na sexta-feira da Paixão”, disse à ACI Digital o sacerdote, doutor em Liturgia pelo Pontifício Instituto de Santo Anselmo, em Roma.
O padre disse que as imagens são cobertas a partir do quinto domingo da Quaresma.
A velatio era obrigatória antes da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II. Depois, com o missal de Paulo VI, deixou de ser obrigatória.
“O uso de cobrir as cruzes e as imagens na igreja, desde o V domingo da Quaresma, pode ser conservado segundo a disposição da Conferência Episcopal. As cruzes permanecem cobertas até o término da celebração da Paixão do Senhor na Sexta-feira Santa; as imagens até o início da Vigília Pascal”, diz a carta circular Paschalis sollemnitatis, da Congregação (atual dicastério) para o Culto Divino da Santa Sé, ao citar uma rubrica do missal.
Segundo o padre Rafhael, além de focar a atenção dos fiéis no Cristo, “cobrindo as imagens a Igreja antecipa, de algum modo, o luto pela morte do Senhor, buscando incutir nos fiéis, também, uma mortificação à sua visão”.
Quanto à cor do pano, ressaltou que este deve ser roxo, “a cor penitencial da Quaresma, que os ministros ordenados usam nos seus paramentos, e significa expectativa de vida nova”.





