Acidigital
O papa Leão XIV chegou hoje (15) a Iaundê, capital dos Camarões, depois de um voo de cinco horas. Encontrando-se com jornalistas a bordo do avião papal, ele fez um breve discurso, agradecendo às autoridades argelinas e falando sobre a primeira etapa da viagem.
Leão XIV, falando em inglês, expressou seu “agradecimento a todas as autoridades argelinas que tornaram possível a visita, tendo inclusive colocado à disposição uma escolta no sobrevoo do espaço aéreo argelino”.
Isso, disse o papa, é “um sinal da bondade, da generosidade e do respeito que o povo argelino e o governo argelino quiseram demonstrar à Santa Sé e a mim pessoalmente”.
“E por isso quero agradecer-lhes, assim como agradecer à presença, muito pequena mas muito significativa, da Igreja na Argélia”, disse Leão XIV.
“Tivemos, como vocês sabem”, disse ele, “algumas visitas muito especiais tanto na basílica de Nossa Senhora da África quanto ontem, em Annaba, na basílica de Santo Agostinho, na colina com vista para a cidade moderna de Annaba e para as ruínas da antiga cidade romana de Hipona. E isso por si só, eu diria, também é simbolicamente significativo, porque santo Agostinho, que foi bispo de Hipona por cerca de 30 anos, como vocês sabem, é uma figura do passado que nos fala de tradição, nos fala da vida, da Igreja, tal como a Igreja cresceu nos primeiros séculos”.
Falando sobre santo Agostinho, Leão XIV disse que ele é “uma figura muito importante hoje, pois seus escritos, seus ensinamentos, sua espiritualidade, seu convite à busca de Deus e à busca da verdade são algo muito necessário hoje — uma mensagem muito real para todos nós hoje, como crentes em Jesus Cristo, mas para todas as pessoas”.
“E como vocês viram, mesmo o povo da Argélia, cuja grande maioria não é cristã, honra e respeita muito a memória de santo Agostinho como um dos grandes filhos de sua terra”, disse o papa.
“Foi, portanto, uma bênção especial para mim, pessoalmente, voltar ontem a Annaba”, disse Ele. “Mas também oferecer à Igreja e ao mundo uma visão que santo Agostinho nos oferece em termos da busca por Deus e da luta para construir comunidade, para buscar a unidade entre todos os povos e o respeito por todos os povos, apesar das diferenças”.
“Em dois dias na Argélia, creio que tivemos uma oportunidade maravilhosa de, por assim dizer, continuar a construir pontes, a promover o diálogo”, disse o papa. “Penso que a visita à mesquita foi significativa e demonstrou que, embora tenhamos crenças diferentes, maneiras diferentes de adorar, maneiras diferentes de viver, podemos viver juntos em paz. E, portanto, penso que promover esse tipo de imagem é algo que o mundo precisa ouvir hoje, e que juntos podemos continuar a oferecer em nosso testemunho, enquanto prosseguimos nesta jornada apostólica”.
O papa Leão XIV é o terceiro papa a visitar Camarões, depois de são João Paulo II em 1985 e 1995 e de Bento XVI em 2009.
Leão XIV se encontrará primeiro com o presidente do País, Paul Biya, de 92 anos, eleito para seu oitavo mandato e no poder há 40 anos. Depois de seu discurso ao corpo diplomático — parada obrigatória no início de cada viagem — o papa visitará o orfanato Ngul Zamba, ponto de referência histórico para o cuidado e a educação de crianças órfãs e menores em situação de grave vulnerabilidade social.
Além de Iaundê, Leão XIV também visitará a cidade de Bamenda, a cerca de 370 km da capital, epicentro da crise anglófona — uma situação complexa na qual separatistas de língua inglesa reivindicam a formação de seu próprio Estado.
O papa também visitará Douala, a capital econômica de Camarões, entrando assim em contato com todas as principais realidades do país antes de partir para Angola no próximo sábado (18).





