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ONU exige que Nicarágua dê informações sobre paradeiro de bispo preso

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O alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, exigiu que o regime da Nicarágua dê informações sobre o paradeiro e a situação do bispo Abelardo Mata, que está desaparecido desde o fim do mês passado.

“Estou preocupado com as notícias de repressão contra a Igreja Católica e outras denominações religiosas, inclusive a falta de informações oficiais sobre o destino, o paradeiro e o estado de saúde do bispo Abelardo Mata Guevara, de 80 anos, que foi detido em 29 de junho”, disse ontem (22) o alto comissário, segundo o site da organização.

“Exorto as autoridades a libertar imediatamente todos aqueles que foram detidos arbitrariamente e a garantir que todos os detidos sejam tratados com humanidade e dignidade, em conformidade com as obrigações da Nicarágua perante o direito internacional dos direitos humanos”, disse Türk.

Abelardo Mata, bispo-emérito de Estelí, Nicarágua, foi preso duas vezes no fim do mês passado pela polícia por rezar pela Igreja perseguida na Nicarágua, numa missa que rezou no domingo, 28 de junho.

Seu paradeiro é desconhecido, embora o regime tenha indicado que ele está em casa.

O secretariado episcopal da América Central (SEDAC) pediu ao regime que permita que o bispo seja tratado por um médico, e várias figuras expressaram preocupação com o bispo de 80 anos, que sofre de diabetes, problemas de visão e usa um marca-passo devido a um problema cardíaco.

Ortega anunciou que não haverá eleições na Nicarágua

O alto comissário também se referiu ao anúncio feito por Daniel Ortega no último domingo (19), num evento público para comemorar o 47º aniversário da revolução sandinista, de que não haveria mais eleições na Nicarágua.

“Apelo às autoridades para que reabram o espaço cívico e restaurem o Estado de Direito”, disse Türk. “Pessoas de todas as ideologias políticas devem ter permissão para votar e candidatar-se a cargos públicos, em conformidade com as obrigações internacionais do Estado em matéria de direitos humanos”.

Além do anúncio sobre as eleições, o gabinete do Alto Comissariado também denunciou que, no início do mês, o regime da Nicarágua revogou as credenciais de vários advogados, sem fundamento legal e sem explicação oficial, enquanto “pelo menos 46 pessoas permanecem detidas arbitrariamente por motivos políticos”.

Isso se soma ao fato de o partido governante controlar a Assembleia Nacional do país, os municípios e os conselhos regionais; e de vários territórios indígenas “serem afetados por concessões de mineração e extração”, muitas das quais foram concedidas sem consulta genuína ou o consentimento de povos indígenas.

Türk disse que todos esses eventos “agravam ainda mais as severas restrições às liberdades fundamentais, o desmantelamento do espaço cívico e a constante erosão do Estado de Direito” na Nicarágua.

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