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A constituição Lumen gentium, do Concílio Vaticano II, voltou a ocupar o centro das atenções na catequese do papa Leão XIV na audiência geral de hoje (8), na qual o papa disse que a santidade não é um “privilégio” reservado a uma elite, mas uma vocação e um dom que compromete todos os batizados.
“De acordo com a constituição conciliar, a santidade não é um privilégio para poucos, mas um dom que compromete cada batizado a tender à perfeição da caridade, ou seja, à plenitude do amor a Deus e ao próximo”, disse o papa.
Segundo o papa, o Concílio Vaticano II ensinou que a santidade consiste em buscar a perfeição da caridade, entendida como a plenitude do amor a Deus e ao próximo. “Com efeito, a caridade é o coração da santidade à qual todos os crentes são chamados”, disse o papa, dizendo que sua expressão máxima, como na Igreja primitiva, é o martírio, ou seja, a disposição de confessar Cristo até o derramamento do próprio sangue.
“Essa disponibilidade ao testemunho realiza-se cada vez que os cristãos deixam sinais de fé e amor na sociedade, comprometendo-se em prol da justiça”, disse Leão XIV em sua catequese. “Todos os Sacramentos, de modo eminente a Eucaristia, são alimento que faz crescer uma vida santa, assimilando cada pessoa a Cristo, modelo e medida da santidade”.
Assim, ele disse que a santidade não tem “só uma natureza prática, como se fosse redutível a um compromisso ético, por maior que seja, mas diz respeito à própria essência da vida cristã, pessoal e comunitária”.
Entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus
O papa disse também que a Lumen gentium define a santidade como uma característica constitutiva da Igreja, que é concebida como «indefectivelmente santa» (LG, 39).
Mas, o papa disse que essa afirmação não implica uma perfeição completa e definitiva, mas um chamado “a confirmar esse dom divino em sua peregrinação rumo à meta eterna”, caminhando “no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus (Santo Agostinho, De civ. Dei 51, 2; LG, 8)”, disse o papa citando santo Agostinho.
Leão XIV também falou sobre a realidade do pecado dentro da Igreja, dizendo que esse fato chama a todos a um sério processo de conversão pessoal e comunitária. “Essa graça infinita, que santifica a Igreja, que nos confia uma missão a cumprir dia a dia: a da nossa conversão”, disse ele.
O papa dedicou uma parte significativa de sua reflexão à vida consagrada, que definiu como um sinal profético do novo mundo já presente no mistério da Igreja. Sobre isso, ele disse que os conselhos evangélicos — pobreza, castidade e obediência — são sinais do Reino de Deus e moldam toda experiência de vida consagrada.
Leão XIV concluiu dizendo que essas virtudes não são limitações à liberdade, mas “dons” libertadores do Espírito Santo. Assim, disse ele, as pessoas consagradas testemunham o chamado universal à santidade por meio de um modo radical de seguir a Cristo, lembrando as pessoas que até mesmo a experiência do sofrimento, vivida em união com a paixão do Senhor, pode se tornar um caminho para a santidade e a transformação.
O sofrimento, um caminho para a santidade
O papa disse que “não existe experiência humana que Deus não redima”.
“Até o sofrimento, vivido em união com a paixão do Senhor, se torna caminho de santidade”, concluiu Leão XIV. “Assim, a graça que converte e transforma a vida fortalece-nos em todas as provações, indicando-nos como meta não um ideal distante, mas o encontro com Deus, que se fez homem por amor”.





