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O anúncio do presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, de que 32 soldados cubanos morreram defendendo o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, confirma que o regime cubano apoiou o chavismo, não só em troca de petróleo venezuelano, mas também pela participação na administração do país, disse Regis Iglesia, porta-voz do Movimento Cristão de Libertação (MCL), organização cubana de resistência ao regime comunista. Iglesia vive exilado na Espanha.
Na última segunda-feira (5), o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, disse que os militares, “que estavam cumprindo missões em nome das Forças Armadas Revolucionárias e do ministério do Interior a pedido de órgãos congêneres no país sul-americano”, morreram em combate com as forças americanas ou nos bombardeios em Caracas, capital da Venezuela, no último sábado (3).
“O regime chavista só se mantém graças à intervenção de militares e policiais cubanos que agem do mesmo modo que na ilha para manter os privilégios dos que governam mal o nosso país, usando a força, a violência e a extorsão para esse fim”, disse Iglesias à ACI Prensa, agência em espanhol do Grupo ACI.
Embora por anos Cuba tenha negado ter militares no país sul-americano, Regis Iglesias disse que “o intervencionismo cubano na Venezuela remonta aos primeiros dias de (Hugo) Chávez no poder, e, portanto, em grande medida, aos anos em que ambos os regimes conseguiram se manter no poder”.
“A Venezuela lhes fornece petróleo e participação em outros negócios criminosos, Cuba lhes envia forças militares e policiais que ajudaram o chavismo a se manter no poder e, portanto, também na administração das instituições administrativas do Estado. Esses são fatos”, disse Iglesias.
O porta-voz do MCL disse que essa não é a primeira vez que uma ditadura comunista tem de reconhecer um fato já conhecido. “Díaz-Canel viveu o que aconteceu ao representante russo na Organização das Nações Unidas na Crise dos Mísseis de Cuba em 1963, quando (o então embaixador dos EUA na ONU) Adlai Stevenson lhe apresentou fotografias das armas nucleares que a União Soviética havia instalado em Cuba”, disse ele.
“A verdade nua e crua, negada pelos russos e representantes do regime comunista cubano, foi confirmada perante o mundo, e não é mais possível continuar escondendo a realidade”, disse Iglesias. “Os sistemas comunistas foram construídos sobre uma fraude monumental contra a humanidade, e sua perversidade se baseia na essência criminosa com que tentam manipular e enganar indivíduos e nações”.
Ele disse que atualmente o regime cubano “também nega o envio de tropas para lutar como mercenários a serviço da Rússia em sua guerra genocida contra o povo ucraniano, apesar das muitas evidências apresentadas”.
Regis Iglesias disse à ACI Prensa que, para que ocorra uma mudança de rumo na Venezuela — com consequências para Cuba —, seria necessário “o reconhecimento do governo constitucionalmente eleito de Edmundo González e María Corina Machado ou, na falta disso, o sucesso de uma operação militar direta dos EUA que desmantele a máfia chavista e a despoje de todo o poder”.
Ele disse que isso “definitivamente atingiria o mesmo alvo da máfia cubana, que se apropriou dos recursos naturais venezuelanos como se fossem seus, não só para seu próprio consumo, mas também para se enriquecer com a venda deles”.
“Naturalmente, o regime cubano estaria agora à deriva, sem um porto à vista para atracar, para recomeçar a pilhagem de outro povo em sua longa história de saques”, disse Iglesias.
O porta-voz da MCL disse: “É hora de o mundo livre, as democracias do hemisfério — que têm sido alvo de interesse por décadas da máfia que tomou o poder em Cuba em 1959 — e as pessoas decentes em todo o mundo reagirem e pararem de negociar com essa quadrilha criminosa que prejudicou não só os cubanos, mas também o resto da América Latina e grande parte do mundo”. “





