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Reflexos do Coração 13 | Batismo de Jesus – Início da Missão

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Este é o meu filho amado!” – João 3, 17

Encerrando o ciclo do Natal, a Igreja celebrou a Solenidade do Batismo do Senhor e nesse mesmo domingo (11/janeiro), inicia-se o primeiro período do chamado Tempo Comum.

Essa celebração é complementada na liturgia do segundo domingo do Tempo Comum (18/janeiro).

No primeiro domingo, o Evangelho é o de Mateus, que nos acompanhará neste ano litúrgico – Ano A.

Mateus nos insere na cena do batismo, Jesus entra nas águas do Jordão e, após diálogo com João Batista se deixa batizar e complementa com o relato da manifestação trinitário com a aparição do Espírito Santo na forma de pomba e voz do Pai, que anuncia quem é Jesus. (Mateus 3, 13-17).

No segundo domingo o mesmo episódio, o mesmo batismo agora é apresentado pelo Evangelista João. (João 1, 29-34) que complementa a cena narrada por Mateus e que foi suscintamente citada também por Lucas.

Neste Evangelho, João traz nova visão da mesma cena, agora com elementos novos, onde João Batista apresenta Jesus ao mundo, com a frase que repetimos em todas as nossas celebrações eucarísticas: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1, 29b) e dá o seu testemunho público, confirmando a filiação e a divindade de Jesus.

Com o Batismo de Jesus, refletido nos dois primeiros domingos, percebemos a importância dada pela Igreja a este evento, que simultaneamente aperfeiçoa o Batismo como Sacramento, revela a Pessoa de Jesus, inicia o Tempo Comum, e dá a largada para a vida pública de Jesus.

São duas situações consequentes e complementares.

No Batismo, Jesus é apresentado ao mundo como Filho amado de Deus.

A partir do batismo, Jesus dá início à sua vida pública, que se concretiza com o anúncio da chegada do Reino de Deus. “O Reino de Deus está próximo” (Marcos 1, 15). E especificando mais esse anúncio Ele vai afirmar: “O Reino de Deus já está no meio de vós” (Lucas 17, 21b)

Na sequência Jesus deixa claro qual será a sua missão, neste mundo. Quando todos queriam Jesus só pra si, Ele diz que veio para todos: “Vamos às aldeias vizinhas, para que eu pregue também lá, pois, para isso é que vim” (Marcos 1, 38)

Como vimos, esse tempo da vida pública de Jesus, tem seu início no seu batismo nas águas do Rio Jordão. Na reflexão anterior meditamos sobre a lógica dos reis magos, oposta à lógica de Deus. Pois na lógica humana, os reis nascem em palácios e foi no palácio que eles o procuraram.

Porém Deus, que desafia a lógica e a sabedoria humana, havia nascido não no palácio, mas numa gruta. Reclinado não em berço de ouro, mas numa manjedoura.

Agora, contemplando a cena do seu batismo, podemos observar essa mesma subversão da lógica humana, que até o próprio João Batista quis seguir: “Eu devo ser batizado por ti e tu vens a mim!” (Mateus 3, 14)

Na lógica de João, ele é que deveria ser batizado por Jesus. Porém a lógica de Des é sempre inversa.

O batizador, se deixa batizar por quem fora batizado por Ele.

O Salvador se deixa confirmar por quem fora confirmado desde o ventre materno.

Jesus continua seguindo a mesma lógica do seu nascimento.

O Rei que nasce numa gruta e não em palácios;

O Rei que dorme em uma manjedoura e não em berço de ouro;

O Rei que ao nascer despertou a inveja e o ódio dos poderosos;

Agora, o batizador se deixa batizar;

João pregava um batismo de arrependimento e conversão.

Aquele que não tinha do que se arrepender, entra na fila dos arrependidos;

O justo que não precisava de conversão, entre na fila dos que necessitam de conversão.

O batismo de Jesus é um dos poucos episódios em que presenciamos a manifestação da Trindade: Deus Pai fala, o Espírito aparece na forma de pomba, e Jesus é confirmado como Filho de Deus, tudo numa mesma cena.

Aquilo que começou escondido na noite de Natal agora se torna público: o Filho amado se manifesta, o céu se abre, o Espírito desce, o Pai fala. A Epifania que iluminou Belém alcança aqui um novo auge e se transforma em “Teofania”: já não é só o Rei recém-nascido que aparece; é a própria Trindade que se revela.

A partir daqui, somos todos convidados a seguir os passos de Jesus, em sua “Missão Pública” ou “Vida Pública”, na qual Ele se revela, revela o amor do Pai e instaura para todos um novo reino de paz e de fraternidade. Ao longo do ano, faremos essa caminhada com Jesus, refletindo sua pregação, caminhando nos seus passos e também anunciando, de forma testemunhal, o Reino Novo que se instala.

Nesta pregação intensa, acompanhada e confirmada por milagres, prodígio e sinais, temos o primeiro contato com a evangelização fundamental que deve acompanhar todos os passos da sua Igreja – a Evangelização querigmática, ressaltado pela Igreja na Conferência de Aparecida, realizada em Aparecida-SP, quando nos fala: “É necessário descobrir o sentido mais profundo da busca, assim como é necessário propiciar o encontro com Cristo que dá origem à iniciação cristã. Este encontro deve se renovar constantemente pelo testemunho pessoal, pelo anúncio do kerigma e pela ação missionária da comunidade. O kerygma não é somente uma etapa, mas o fio condutor de um processo que culmina na maturidade do discípulo de Jesus Cristo. Sem o kerygma, os demais aspectos deste processo estão condenados à esterilidade, sem corações verdadeiramente convertidos ao Senhor. Só a partir do kerygma acontece a possibilidade de uma iniciação cristã verdadeira. Por isso, a Igreja precisa tê-lo presente em todas as suas ações.” (Doc.de Aparecida 278)

  • O querigma de Jesus nos apresenta o Reino de Deus, que Ele veio instaurar;
  • No querigma dos Apóstolos, o centro da pregação é a Pessoa de Jesus que morreu, ressuscitou e foi glorificado pelo Pai, e por isso Ele é o nosso Salvador, Senhor e Messias,
  • Na apresentação do querigma (primeiro anúncio) ao longo dos séculos e nos dias atuais, a Igreja segue a mesma estratégia dos Apóstolos (ou ao menos deveria seguir), tendo como centro a Pessoa de Jesus, e apresentando os passos que devem ser trilhados para que esse anúncio chegue aos corações e produzam frutos de conversão e transformação pessoal e social, tendo como força motriz o Amor de Deus que nos trata como filhos e como família de Jesus.

Ao se deixar batizar por João, Jesus confirma e aperfeiçoa o seu conceito, mantendo o gesto concreto da purificação na água, mas acrescentando principalmente a ação espiritual de purificação e unção da alma. O batismo de Jesus inaugurou a sua missão pública de anúncio do Reino O Batismo, agora confirmado e aperfeiçoado por Jesus deve inaugurar em nós uma vida de filhos amados de Deus, participantes do seu projeto de salvação na Pessoa de Jesus.

O Sacramento do Batismo, além da filiação, nos confere os chamados “Dons Infusos”, que são os Dons do Espírito Santo, para nos fortalecer em nossa caminhada em busca da santificação.

Portanto, pelo Sacramento do Batismo, recebemos o Espírito Santo, seus Dons, e nos tornamos aptos a participar não apenas como espectadores, mas principalmente como agentes ativos da caminhada e da missão da Igreja, assumindo a condição de evangelizadores, e para isso Ele, através da sua Igreja, nos alimenta com o Pão da Palavra, o Pão Eucarístico e demais sacramentos que nos fortalecem e conduzem com sua unção e ação divina.

Com a autoridade recebida das mãos do Senhor: “Tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu” (Mateus 18, 18), a Igreja professa, crê e proclama um só batismo: “Há um só Senhor, uma só Fé, um só Batismo” (Efésios 4,5), iniciado por João e confirmado pelo próprio Jesus e, ao longo dos séculos, ministrado aos seus fiéis em cumprimento à ordem imperativa do seu Senhor, de anunciar e batizar em seu nome: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado, será salvo” (Marcos 16, 15-16a).

Assim como Jesus, pelo batismo de penitência, assumiu a plenitude da sua missão, também nós, pelo Batismo Sacramental, somos chamados e capacitados para assumirmos a missão, agora da Igreja e nossa, no anúncio eficaz da salvação, na Pessoa de Jesus Cristo.

Reflexos do Coração 13 | Batismo de Jesus - Início da Missão

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