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A Comissão Teológica Internacional publicou um documento dizendo que “a vida do ser humano é vocação” e que desenvolvimentos científicos e tecnológicos sem precedentes devem ser acompanhados por um crescimento correspondente na responsabilidade, para que o progresso seja direcionado para o bem da pessoa.
O texto Quo vadis, humanitas? (Aonde vai, humanidade? Pensando a antropologia cristã diante de alguns cenários sobre o futuro do humano, em tradução livre) foi publicado hoje (4). A Comissão Teológica Internacional é chefiada pelo prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, cardeal Víctor Manuel Fernández. O documento foi aprovado pelo papa Leão XIV. O documento foi, por enquanto, publicado em italiano, e espera-se que outras línguas sejam adicionadas.
“Neste momento do século XXI, a família humana se vê diante de questões tão radicais que chegam a ameaçar sua própria existência como a conhecemos até agora”, diz o documento. Para a comissão, os seres humanos hoje estão expostos a riscos “nunca antes imaginados”.
Inteligência artificial e a pessoa humana
A comissão diz que modos de conhecimento e cálculo da Inteligência Artificial, dissociados da inteligência humana corporificada e situada — e do conhecimento relacional transmitido através das gerações por meio da educação — podem se tornar uma ameaça ao verdadeiro bem da humanidade.
Redes sociais, polarização e ‘religiões digitais’
Segundo o documento, nas redes sociais, as plataformas online podem intensificar “fortes polarizações” entre grupos e “tribalizar” as interações sociais, fragmentando a sociedade em blocos de opinião com ideias semelhantes, moldados por curtidas. A comissão alerta que as plataformas sociais podem se tornar “territórios de solidão, manipulação, exploração e violência”.
O documento expressa preocupação com o que descreve como um “gigantesco mercado religioso” online, no qual uma variedade de “religiões digitais” poderia oferecer uma espiritualidade à la carte, impulsionada por interesses individuais em vez de laços reais ou senso de pertencimento a uma comunidade. O documento põe em dúvida também o caráter genuinamente eclesial de algumas comunicações cristãs nas redes sociais, particularmente quando usadas para inflamar polêmicas, fomentar divisões ou prejudicar a reputação de outros.
‘O ser humano é vocação’
A comissão reafirma que a vocação não é só um tema para determinados estados de vida na Igreja, mas também está enraizada na própria essência da pessoa humana. Ela diz que, no Ocidente, uma “cultura da não vocação” é frequentemente incentivada, moldando desafios antropológicos contemporâneos — especialmente na educação dos jovens.
O texto diz que muitos jovens são ensinados a encarar o futuro principalmente pela ótica da escolha de carreira, da estabilidade econômica ou da satisfação de certas necessidades, sem se abrirem para um significado último e para as relações fundamentais que moldam a identidade e o destino.
Um alerta sobre animais e humanos.
Num alerta final, a comissão diz que as sociedades — especialmente no Ocidente — devem evitar tratar alguns animais, particularmente os animais de estimação, “quase como pessoas”, resistindo também à tentação oposta: reduzir os seres humanos a animais.





