Ouça a Rádio Coração Ao Vivo

‘Chegou o momento’ de reconstruir a paz, diz Leão XIV em Camarões

- Publicidade -

Acidigital

Cerca de 20 mil pessoas se reuniram hoje (16), apesar do mau tempo, nas pistas do aeroporto internacional de Bamenda para participar de uma missa celebrada pelo papa Leão XIV, encerrando o segundo dia da visita do papa a Camarões.

Em sua homilia, o papa Leão XIV elogiou a fé da Igreja local. “As manifestações festivas que acompanham as vossas liturgias e a alegria que brota da oração que elevais a Deus são o sinal do vosso abandono confiante n’Ele, da vossa esperança inquebrantável, do vosso agarrar-vos, com todas as forças, ao amor do Pai que se faz próximo e olha com compaixão para os sofrimentos dos seus filhos”, disse o papa.

Citando o Salmo 34, o papa disse à multidão que “o Senhor está perto dos corações contritos e salva os espíritos abatidos”.

Leão XIV falou sobre as feridas que afligem o país e a região.

“Irmãos e irmãs, são muitos os motivos e as situações que nos partem o coração e nos lançam na aflição”, disse o papa. “As esperanças num futuro de paz e reconciliação, em que cada um seja respeitado na sua dignidade e a cada um sejam garantidos os direitos necessários, são continuamente desvanecidas pelos muitos problemas que marcam esta belíssima terra”.

Leão XIV falou sobre “as numerosas formas de pobreza”, como uma crise alimentar contínua, assim como “a corrupção moral, social e política, ligada sobretudo à gestão da riqueza, que impede o desenvolvimento das instituições e das estruturas”.

Ele também citou “os graves e consequentes problemas que atingem o sistema educativo e o sanitário, assim como a grande migração para o estrangeiro, em particular dos jovens”.

“E às problemáticas internas, frequentemente alimentadas pelo ódio e pela violência, junta-se ainda o mal causado pelo exterior, por aqueles que, em nome do lucro, continuam a pôr as mãos no continente africano para o explorar e saquear”, disse ele.

“Este é o momento para mudar, transformar a história deste país”, disse ele. “Hoje, não amanhã; agora, não no futuro! Chegou o momento de reconstruir, de recompor o mosaico da unidade, combinando as diversidades e as riquezas do país e do continente, de edificar uma sociedade onde reinem a paz e a reconciliação”.

O papa disse que, quando as situações difíceis persistem por muito tempo, as pessoas podem cair na resignação e no desamparo. Mas, disse ele, “Palavra do Senhor abre espaços novos e gera transformação e cura”.

“É capaz de colocar o coração em movimento, de pôr em crise o curso normal das coisas a que facilmente corremos o risco de nos habituar, e de nos tornar protagonistas ativos da mudança”, disse ele. “Lembremo-nos disto: Deus é novidade, Deus cria coisas novas, Deus torna-nos pessoas corajosas que, desafiando o mal, constroem o bem”.

Falando sobre os Atos dos Apóstolos, Leão XIV disse que a coragem dos apóstolos se tornou “consciência crítica, profecia, denúncia do mal”, chamando esse testemunho de “o primeiro passo para mudar as coisas”.

“Na verdade, obedecer a Deus não é um ato de submissão que nos oprime ou anula a nossa liberdade; pelo contrário, a obediência a Deus torna-nos livres, porque significa confiar-lhe a nossa vida e deixar que seja a sua Palavra a inspirar a nossa maneira de pensar e de agir”, disse ele.

“Quem obedece a Deus antes do que aos homens e ao modo humano e terreno de pensar, reencontra a própria liberdade interior, consegue descobrir o valor do bem e não se resignar ao mal, redescobre o caminho da vida e torna-se construtor de paz e fraternidade”, disse o papa.

Leão XIV também alertou os fiéis para que permaneçam vigilantes em sua fé.

“Devemos, porém, guardar sempre no coração e recordar o apelo do apóstolo Pedro: obedecer a Deus, mais que aos homens”, disse o papa.

“Isso convida-nos a promover a inculturação do Evangelho e a vigiar com atenção, também sobre a nossa religiosidade, para não cairmos no engano de seguir aqueles caminhos que misturam a fé católica com outras crenças e tradições de caráter esotérico ou gnóstico, que, na realidade, têm frequentemente objetivos políticos e econômicos”, disse Leão XIV.

“Só Deus liberta, só a sua Palavra abre caminhos de liberdade, só o seu Espírito nos torna pessoas novas, que podem mudar este país”, disse ele.

Ao fim da missa, o arcebispo de Bamenda, Andrew Nkea Fuanya, agradeceu ao papa por visitar a região “neste momento de insegurança, incerteza e desânimo”, dizendo que a presença de Leão XIV trouxe “elevação espiritual, encorajamento moral, fortalecimento psicológico e consolo físico”.

O arcebispo disse que o povo de Bamenda estava confiante de que “a paz pela qual vocês vieram rezar voltará mais uma vez” à província eclesiástica e prometeu, em nome dos bispos da região, fidelidade filial ao papa.

Leia também

- Publicidade -

Últimas Notícias

- Publicidade -

Últimas Notícias

- Publicidade-
Fale com a Rádio Olá! Selecione um contato.