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Contra ‘pandemia de solidão’, Leão XIV reafirma papel da família tradicional

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O papa Leão XIV defendeu ontem (25) o papel central da família fundada no casamento de um homem e uma mulher como pilar para prevenir tanto a intervenção excessiva do Estado quanto o avanço do individualismo, e para enfrentar o “desafio urgente” do envelhecimento na Europa e a “pandemia da solidão” que afeta o continente.

A declaração foi feita ontem numa audiência concedida aos eurodeputados do Intergrupo de Demografia do Parlamento Europeu, que promovem políticas de apoio à família, ao desenvolvimento rural e à coesão territorial face aos desafios do envelhecimento populacional.

A “pandemia da solidão”

O papa referiu-se à questão demográfica na Europa como “um desafio urgente”, que engloba não só os problemas decorrentes do envelhecimento da população, mas também aquilo que Leão XIV definiu como “a pandemia da solidão”.

O papa disse que os dados demográficos “não são só estatísticas, mas falam de paternidade, maternidade e filhos. E os filhos constituem o futuro!”, disse ele. Leão XIV disse também que a “solidariedade entre as gerações”, atualmente escassa na Europa, é essencial para o desenvolvimento integral e sustentável.

Leão XIV denunciou a “rejeição da inspiração cristã” dos pais fundadores da União Europeia, que, na opinião do papa, levou “a um período de drástica esterilidade”, não só por causa do aborto, mas também pela falha em transmitir as ferramentas de que os jovens precisam para o futuro.

“Consequentemente, não é raro deparar-nos com afirmações contraditórias de presumíveis políticas a favor das famílias que, ao mesmo tempo, promovem a discriminação contra a maternidade e exaltam o aborto como direito, minando os próprios alicerces do desejo de dar vida a uma família”, disse o papa.

Ele falou sobre a necessidade de estudar essas questões a partir de perspectivas acadêmicas, políticas e sociais, já que — disse — o desafio demográfico “encontra-se num momento crucial para o futuro antropológico, social e econômico da Europa”.

O papel vital da família na sociedade

O papa destacou o papel vital desempenhado pelos eurodeputados e os instou a trabalhar em conjunto com a sociedade civil, encorajando-os também a “gerar ideias inovadoras” de que “a Europa e o mundo têm urgente necessidade”.

Segundo Leão XIV, a chave para encontrar soluções está na “dignidade fundamental de todas as pessoas”, e no papel da família na sociedade. Ele disse que a família é a “«a primeira e insubstituível escola de socialidade» (Familiaris consortio, n. 43)”, que “está assente no matrimónio entre um homem e uma mulher”.

Ele os exortou a promover a responsabilidade dividida e o papel ativo das famílias na vida social, política e cultural, porque, disse, “só respeitando e promovendo essa centralidade da família e aplicando o princípio da subsidiariedade será possível evitar os dois extremos da intervenção estatal excessiva e do individualismo”.

Essa abordagem, como salientou o papa, fornece os “princípios imutáveis” que podem orientar a sociedade na busca de respostas para as questões fundamentais: “Qual é o sentido e o valor da vida humana, o que é uma sociedade humana autêntica e que tipo de mundo queremos deixar às gerações vindouras?”

Um “novo sopro de primavera”

Com base nisso, Leão XIV disse que as políticas nacionais e da União Europeia devem ser desenvolvidas e formuladas em colaboração com a sociedade civil, para que “visem a pessoa humana na sua integridade e promovam sempre a dignidade dos seres humanos”.

“Deste modo, para resolver a crise demográfica pode abrir-se um caminho autenticamente humano, orientado para o bem comum e para o bem-estar das gerações futuras”, disse ele.

Concluindo, o papa disse que “só um novo sopro de primavera poderá transformar o frio invernal das nossas populações que envelhecem!”.

O encontro no Vaticano ocorreu por ocasião da Conferência sobre Família e Demografia, realizada em Roma, Itália, que também teve a presença da Comissária Europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Šuica; da Ministra da Família, da Taxa de Natalidade e da Igualdade de Oportunidades da Itália, Eugenia Roccella; e de Gudrun Kugler, Representante Especial para a Mudança Demográfica e Segurança da Assembleia Parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Segundo o estudo mais recente do Eurostat sobre Demografia na Europa, as taxas de natalidade têm diminuído em todos os países da União Europeia desde 2004. Em 2024, a taxa era de 7,9 nascimentos por cada mil habitantes. No ano passado, a idade média na União Europeia era de 44,9 anos.

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