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Papa sobre o combate aos vícios: a Igreja deve ser a família de todas as pessoas

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Vaticanews

Andressa Collet – Vatican News

A audiência com o Papa Leão XIV nesta quinta-feira (27/08) marcou o encerramento de três dias de um encontro internacional em Roma direcionado ao enfrentamento do fenômeno dos vícios e do recrutamento de jovens ao crime. Desde terça-feira (25/08), o evento organizado pela Comissão Pontifícia para a América Latina (CAL), pela Pastoral Latino-Americana de Acompanhamento e Prevenção das Adições (PLAPA) do Celam (Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho), além da Comissão Interamericana para o Controle do Abuso de Drogas (CICAD) da OEA (Organização dos Estados Americanos), reúne representantes de várias partes do mundo, inclusive do Brasil. Denise Ferreira, coordenadora nacional da Pastoral da Sobriedade, enalteceu que o diálogo e o convívio familiar são ferramentas seguras de prevenção, e não só: “onde a Igreja consegue chegar, a prevenção também consegue chegar”, afirmou ela sobre a relevância da integração dos esforços das organizações religiosas que conseguem alcançar as periferias e as comunidades vulneráveis.

O trabalho realizado de forma integral através de “centros de acompanhamento, prevenção, recuperação e integração para jovens, baseados na fé, que vêm da Ásia, África, Europa e América” ganhou reconhecimento do Pontífice que, em discurso, lembrou que “o sofrimento e a esperança não têm fronteiras”, sobretudo dos jovens. Os vícios, continuou o Papa, “são um fenômeno complexo que revela o fracasso de um mundo desumanizado”. A resposta ao problema das dependências precisa ser através da “prevenção comunitária, atenção científica, justiça com rosto humano e acompanhamento pastoral próximo. Nossa contribuição deve ser direcionada ao cuidado, à presença e à reconstrução do tecido comunitário”, explicou o Papa.

Papa sobre o combate aos vícios: a Igreja deve ser a família de todas as pessoas
A audiência com o Papa no Vaticano (@VATICAN MEDIA)

As 4 pontes de colaboração da Igreja

Leão XIV, com satisfação, disse ter conhecimento de “quatro pontes” que também estão colaborando na questão dos vícios na América Latina: a primeira é entre a Igreja e os organismos internacionais, “já que ninguém pode enfrentar sozinho o problema das drogas”. A segunda ponte é entre a ciência e a fé, com a compreensão integral da pessoa humana através da Igreja, sem “a pretensão de competir ou ocupar o lugar das neurociências, da psiquiatria ou da saúde pública”. A terceira ponte está dentro da Igreja “que peregrina nos diversos continentes” – a exemplo do encontro internacional que se realiza em Roma e dá espaço à partilha de “dores, esperanças e entusiasmos pastorais”. Já a quarta ponte é ecumênica, quando a Igreja Católica encontra “uma linguagem comum a partir da fé” para acompanhar a necessidade dos jovens.

A Igreja é a família de quem precisa

Em seguida, no discurso pronunciado em espanhol, o Papa procurou explanar sobre outra instituição importante no enfrentamento à problemática dos vícios: a família, a “Igreja doméstica”, como descreveu o Concílio Vaticano II, “lugar onde se cultiva a vida, onde é cuidada e planejada. Não há melhor prevenção contra as drogas do que uma boa família”, reforçou o Pontífice, ao citar inclusive seus predecessores: João Paulo II pediu para “fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão” e, Papa Francisco, a exemplo de Jesus, que “toquemos a miséria humana, a carne sofredora dos outros”.

Essa é a missão da Igreja, acrescentou Leão XIV, que “seja uma família, incluindo especialmente as pessoas que sofrem”, ajudando a dar uma resposta à dor vivida dentro de muitos lares, “seja pelo uso de drogas, pela violência, pelo recrutamento de um filho para o crime, pela pobreza ou pela falta de oportunidades que empurram à margem da sociedade”:

“Gostaria de expressar um desejo a vocês: que a Igreja seja a família de todas as pessoas que ficaram à beira da estrada. Assim como o samaritano que se fez próximo do homem caído; não passemos indiferentes. Vamos construir uma Igreja que se detém, se aproxima, se comove, unge as feridas, alimenta e se torna um lar.”

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