O papa Leão XIV instou na quarta-feira (2) a “desmascarar as contradições” do mundo contemporâneo e disse que os fiéis são chamados a assumir a responsabilidade pelas “dificuldades dos irmãos, sobretudo daqueles que são esmagados pela injustiça, pela discriminação, pela violência”.
O papa inaugurou um novo ciclo de catequese dedicado à constituição pastoral Gaudium et spes.
Segundo Leão Xiv, o documento aprovado e promulgado em 7 de dezembro de 1965 pelos padres conciliares e o papa são Paulo VI, estabeleceu a natureza essencialmente pastoral da Igreja, resultado da “fidelidade ao Mistério de Cristo que, encarnando-se, escolhe partilhar a nossa vida”.
Por isso, ele disse que a constituição conciliar Gaudium et spes começa com a famosa afirmação de que a Igreja sente como suas “«as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem» (GS 1)”.
O papa disse que esse é um compromisso que convida os cristãos a “sair de toda a passividade e indiferença perante os acontecimentos, a história e a vida das pessoas, sobretudo perante a mudança rápida e profunda que hoje experimentamos”.
Ele disse que a proximidade com a humanidade permite uma compreensão mais profunda tanto dos eventos históricos quanto da própria Revelação. Nessa perspectiva, disse que a Gaudium et spes fala sobre o “dever da Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho (GS 4)”.
O papa disse que essa atitude não responde só a uma disposição “meramente moral”. Para falar sobre isso, citou a exortação apostólica Evangelii gaudium, o roteiro do pontificado do papa Francisco, que diz que para a Igreja “a opção pelos pobres é mais uma categoria teológica que cultural, sociológica, política ou filosófica”.
“A partilha cristã compromete a assumir a realidade e também a desmascarar as contradições que caracterizam a vida pessoal e social do mundo contemporâneo”, disse Leão XIV.
Em seguida, ele listou alguns exemplos dessas contradições. Por um lado, mencionou o “progresso científico e tecnológico, que oferece sempre novas possibilidades, mas só a alguns”; por outro, uma compreensão mais clara das “leis da vida social”, acompanhada, no entanto, de incertezas “quanto à direção que a essa deve imprimir”.
O papa falou também sobre o paradoxo de ter “uma maior disponibilidade de «riquezas, possibilidades e poderio econômico»” enquanto, ao mesmo tempo, “grande parte da humanidade sofre com a fome e a pobreza”. Lamentou também a crescente consciência de que o futuro do planeta está em jogo, mas a persistente incapacidade de abandonar o ‘consumo egoísta’ e a ilusão de que a guerra seja um caminho eficaz para construir a paz”.
“Num tempo marcado por profundas mudanças, das quais derivam desequilíbrios preocupantes, a Igreja é chamada a servir o ser humano, escutando e acolhendo as interrogações mais profundas do seu coração e os anseios que nele habitam, indicando em Cristo «a chave, o centro e o fim de toda a história humana» (GS 10)”, disse Leão XIV.





