“Não basta saber que Deus existe, que é único ou que é o Todo-Poderoso; o Senhor espera de nós uma relação pessoal: o único Deus verdadeiro quer tornar-se o nosso Deus”, disse o papa Leão XIV no Ângelus de hoje (25), na praça de São Pedro.
“Não podemos amar a Deus de verdade sem que esse amor transborde em amor pelos nossos irmãos e irmãs”, continuou. “E não podemos amar verdadeiramente o nosso próximo senão como filhos do mesmo Pai, que em seu Filho Jesus nos amou primeiro”.
Na reflexão que fez antes da oração mariana, o papa comentou a passagem do Evangelho deste domingo, na qual um doutor da Lei, para pôr Jesus à prova, pergunta-lhe: “Qual é o maior mandamento da Lei?”. Jesus responde citando uma passagem do Livro do Deuteronômio: “Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente”.
Segundo o papa, “Cristo coloca a dimensão do amor como o ponto fundamental da relação com Deus”. No encontro com Ele, acrescentou, o mandamento do amor “não é uma obrigação nem uma imposição”. O amor a Deus, esclareceu, “é uma exigência que faz parte do desejo do homem, que encontra a sua plena realização na comunhão com Ele”.
Por isso, continuou, “o nosso amor só pode ser autêntico quando é uma resposta ao seu amor, que sempre nos precede”. Além disso, recordou que, ao primeiro mandamento, o Senhor une um segundo: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”.
“Esta regra de vida surge de uma mesma fonte e, por isso, Jesus diz ser semelhante à primeira”, disse. “A partir da relação íntima com Deus, tornamo-nos capazes de olhar para nós próprios e para o próximo com o mesmo olhar de Cristo, segundo a sua perspectiva”.
Leão XIV advertiu que “sem o amor, a nossa fé ficaria desprovida do seu conteúdo, as nossas boas obras reduzir-se-iam a moralismo e a nossa esperança seria vã”. “Desta forma, o egoísmo é superado e até o amor a si mesmo se transforma em caridade: a nossa existência volta-se para o outro e torna-se um dom para quem está ao nosso lado”, disse.
O papa citou Santa Teresinha do Menino Jesus e recordou as suas palavras: “Só o amor – escrevia ela – impele os membros da Igreja à ação; se esse amor se extinguisse, a Igreja já não anunciaria o Evangelho”.
“Peçamos ao Senhor a graça de um coração novo, capaz de acolher e viver o grande mandamento”, concluiu.





