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Há questões mais importantes do que moral sexual, diz Leão XIV ao voltar da África

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“Temos a tendência de pensar que, quando a Igreja fala de moral, o único tema moral é o sexual”, disse o papa Leão XIV na entrevista de cerca de 20 minutos a bordo do avião que o levou de Malabo, Guiné Equatorial, a Roma. “Na verdade, acredito que existam questões muito maiores e mais importantes, como a justiça, a igualdade, a liberdade dos homens e das mulheres, a liberdade religiosa, que deveriam ter prioridade em relação a essa questão específica”, disse o papa respondendo a uma pergunta sobre a decisão do arcebispo de Munique-Freising, Reinhard Marx, de promover bênçãos formais a uniões homossexuais.

“Em primeiro lugar, acredito que seja muito importante compreender que a unidade ou a divisão da Igreja não deve girar em torno de questões sexuais”, disse Leão XIV.

O papa disse que a Santa Sé já havia dito à Conferência Episcopal Alemã que não aceita “bênção formal de uniões” homossexuais ou casais em situações irregulares além do que o papa Francisco havia permitido.

Repetindo a expressão de Francisco, “todos, todos, todos”, Leão XIV disse: “Todos são acolhidos, todos são convidados, todos são convidados a seguir Jesus e todos são convidados a buscar a conversão em sua própria vida”.

“Ir além disso hoje, creio que pode causar mais desunião do que unidade, e que devemos procurar construir nossa unidade em Jesus Cristo e no que Jesus Cristo ensina”, disse o papa.

Antes de responder às perguntas, o papa disse que o principal objetivo de uma viagem papal é pastoral, e não político.

“Quando faço uma viagem, falo por mim mesmo; porém, hoje, como papa, bispo de Roma, trata-se sobretudo de uma viagem apostólica pastoral para encontrar, acompanhar e conhecer o povo de Deus”, disse ele.

Leão XIV disse que essas viagens devem ser entendidas sobretudo como “a expressão da vontade de anunciar o Evangelho, de proclamar a mensagem de Jesus Cristo” e como um modo de “se aproximar do povo em sua alegria, na profundidade de sua fé, mas também em seu sofrimento”.

“Gostaria de começar dizendo que é preciso promover uma nova atitude e uma cultura de paz”, disse Leão XIV respondendo a uma pergunta sobre o conflito envolvendo Irã, Israel e EUA. “Muitas vezes, quando avaliamos certas situações, a resposta imediata é que é preciso intervir com a violência, com a guerra, atacando. O que vimos foi a morte de muitos inocentes”.

Segundo o papa, “a questão não é se o regime muda — o regime não muda —, a questão é como promover os valores em que acreditamos sem a morte de tantos inocentes”.

Falando sobre a situação como “muito complexa”, o papa disse que o vai e vem das negociações criou “essa situação caótica, crítica para a economia mundial”, enquanto pessoas inocentes no Irã estavam sofrendo por causa da guerra.

“Em vez disso, eu gostaria de incentivar a continuação do diálogo pela paz”, disse Leão XIV. “Como Igreja — repito — como pastor, não posso ser a favor da guerra. Incentivo a todos a se esforçarem para buscar respostas que venham de uma cultura de paz, não de ódio e divisão”.

Depois, no diálogo, respondendo a uma pergunta sobre supostas execuções perpetradas pelo regime iraniano, o papa disse: “Condeno todas as ações injustas. Condeno o assassinato de pessoas. Condeno a pena de morte”.

“Acredito que a vida humana deve ser respeitada e que a vida de todas as pessoas — desde a concepção até a morte natural — deve ser respeitada e protegida. Portanto, quando um regime, quando um país toma decisões que tiram injustamente a vida de outras pessoas, isso é evidentemente algo que deve ser condenado”.

Sobre a migração, um tema importante antes de sua próxima viagem apostólica internacional à Espanha, prevista para junho, o papa disse que os governos têm o direito de regular suas fronteiras, mas disse que os países mais ricos devem também abordar as causas mais profundas que levam as pessoas a sair de países mais pobres.

“O tema da imigração é muito complexo e afeta muitos países, não apenas a Espanha, não apenas a Europa, os Estados Unidos — é um fenômeno mundial”, disse ele. “Pessoalmente, acredito que um Estado tem o direito de estabelecer regras em suas fronteiras. Não estou dizendo que todos devam entrar sem ordem, criando às vezes, nos lugares para onde vão, situações mais injustas do que aquelas que deixaram”.

O papa exortou os países mais ricos e as corporações multinacionais a fazerem mais pelos países em desenvolvimento, especialmente na África.

“Porém, dito isso, eu me pergunto: o que fazemos nos países mais ricos para mudar a situação nos países mais pobres?”, disse ele. Referindo-se à África, Leão XIV disse que para muitas pessoas ela é vista como “um lugar onde se pode ir buscar minerais, extrair suas riquezas para a riqueza de outros, em outros países”.

O papa disse que os migrantes devem sempre ser tratados com dignidade.

“Quando as pessoas chegam, são seres humanos e merecem o respeito que cabe a todo ser humano por sua dignidade”, disse ele. “São seres humanos e devemos tratar os seres humanos de maneira humana, não tratá-los muitas vezes pior do que os animais”.

Um jornalista francês perguntou a Leão XIV como ele evita conferir legitimidade moral a governantes autoritários quando se encontra com eles em viagens papais. O papa disse: “Certamente, a presença de um papa ao lado de qualquer chefe de Estado pode ser interpretada de maneiras diferentes”.

“Gostaria de voltar ao que disse em minhas observações iniciais sobre a importância de compreender o objetivo principal das viagens que faço, que o papa realiza: visitar as pessoas”.

O papa também defendeu o engajamento diplomático contínuo da Santa Sé, mesmo com governos difíceis.

“Nem sempre fazemos grandes declarações de crítica, de julgamento ou de condenação”, disse ele. “Mas há muito trabalho sendo feito nos bastidores para promover a justiça, para promover causas humanitárias”.

Esse trabalho, disse Leão XIV, pode abranger esforços para libertar presos políticos e responder à fome e às doenças.

“Portanto, a Santa Sé, mantendo uma neutralidade e buscando formas de manter relações diplomáticas positivas com tantos países diferentes, está, na verdade, tentando aplicar o Evangelho às situações concretas para que a vida das pessoas possa melhorar”, disse o papa.

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