Acidigital
O papa Leão XIV disse hoje (10) que a tarefa que os bispos devem colocar acima de qualquer outra é “permanecer com Jesus”. “Em primeiro lugar somos discípulos”, disse ele.
“Para falar d’Ele, devemos estar com Ele; para guiar o seu povo, devemos deixar-nos guiar por Ele todos os dias, todos os dias. Entre as numerosas atividades que sereis chamados a desempenhar como bispos, essa é a mais importante”, disse ele.
O papa recebeu hoje no Vaticano 147 novos bispos dos cinco continentes que participaram de cursos de formação em Roma.
Os participantes desta edição vêm de vários países da África, Ásia, Oceania e América Latina, como Argélia, Bangladesh, Camarões, Colômbia, Costa do Marfim, Etiópia, Filipinas, Gana, Honduras, Índia, Indonésia, Quênia, Madagascar, Mali, Mianmar, Namíbia, Papua Nova Guiné, Peru, República Centro-Africana, Senegal, Seychelles, Ilhas Salomão, Sri Lanka, África do Sul, Vietnã, Zimbábue, Quirguistão e Tailândia.
“Juntos ouvistes, rezastes, celebrastes a Eucaristia e partilhastes as esperanças e os sonhos que conservais no coração pelas Igrejas que o Senhor acaba de confiar aos vossos cuidados de pastores. Tudo isto vos ajudará a recordar algo muito simples e precioso: nenhum Bispo caminha sozinho”, disse o papa.
Em seu discurso, Leão XIV falou sobre o tema do encontro: Bispos, Servos da Comunhão na Igreja e no Mundo de Hoje.
O Coração de um Bom Pastor
O papa destacou como segundo aspecto fundamental a necessidade de os bispos terem o “coração de Jesus, o Bom Pastor”.
“O bispo é um homem que aprende cada dia mais a amar o seu povo: a conhecer as alegrias e as dores do seu povo, a compartilhar os seus sonhos, a regozijar-se ao ver crescer as comunidades”, disse.
O papa os incumbiu de aprender os nomes das pessoas que vivem em suas dioceses. “Escutai as suas histórias, quando puderdes entrai nas suas casas, orai com elas. Especialmente nas igrejas jovens, muitas vezes a presença do bispo diz muito mais do que as suas palavras”, disse Leão XIV. “São pequenos gestos, mas podem ficar gravados na alma de uma pessoa para toda a vida”.
Outra característica do bispo é o que a tradição chama de sollicitudo pastoralis, ou seja, solicitude ou preocupação pastoral.
“Isso é próprio da paternidade episcopal: ter um coração generoso, suficientemente grande para dar espaço a todos, acolhendo em si os próprios filhos e apresentando-os todos os dias ao Senhor na oração”, disse ele.
Cuidem especialmente dos seus sacerdotes
Ele também convidou os bispos a cuidarem especialmente de seus sacerdotes: “Escutai-os, encorajai-os, orai por eles, regozijai-vos com o bem que praticam e acompanhai-os com confiança no seu ministério. Tende cuidado especial com os idosos e doentes. Fazei-lhes sentir que são preciosos, que a Igreja lhes está grata e que o bispo não os esquece. Às vezes basta um telefonema, uma visita, uma palavra carinhosa da vossa parte”.
Um ministério como serviço de amor
O papa falou também sobre outra dimensão essencial do ministério episcopal, descrita por santo Agostinho como amoris officium, serviço de amor.
“A nossa pregação é um ato de amor, assim como a escuta, a oração, o discernimento, o tempo dedicado às pessoas, a presença. É a caridade pastoral, que permite a Cristo Pastor chegar ao povo que Ele ama através da nossa pobre pessoa”, disse ele.
Leão XIV destacou que a humanidade vive numa era marcada por mudanças aceleradas.
“Os progressos das tecnologias da comunicação e da inteligência artificial abriram possibilidades que, até há poucos anos, nem sequer teríamos imaginado. Mas certamente não podem libertar a humanidade do pecado e das suas consequências: demonstram-no tragicamente as crises que ele atravessa”, disse.
Ele disse que a Igreja celebrou o Jubileu da Esperança no ano passado. A Igreja “é enviada por Cristo, morto e ressuscitado, para anunciar a todos o Evangelho da salvação. E nós bispos somos os primeiros destinatários deste mandato”, disse.
O papa também se referiu à sua encíclica Magnifica humanitas, através da qual buscou oferecer, como disse, “uma visão e um método para enfrentar o grande desafio da salvaguarda do humano na era da inteligência artificial”.
Uma igreja aberta a todos
Por fim, Leão XIV falou sobre a dimensão missionária do episcopado e disse que os bispos devem ter o coração aberto a todos:
“Não só a quantos frequentam as nossas paróquias, mas inclusive aos cristãos de outras confissões, aos crentes de outras religiões, às pessoas que não professam uma fé, a todos os homens e mulheres de boa vontade. A todos escuta e respeita, de todos se aproxima e sabe reconhecer o bem presente no coração de cada pessoa”, concluiu.





