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Santa Sé alerta sobre “disseminação” política do aborto como instrumento de controle populacional

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A Santa Sé publicou ontem (27) um documento, com o objetivo de promover o cuidado com a criação e com a vida humana no seio da família. O documento alerta sobre o avanço de certas “ideologias” contra a vida que incentivam o aborto e a esterilização como meios de controlar o crescimento populacional.

O texto diz que existe atualmente “uma tendência a considerar o crescimento populacional como a principal ameaça à humanidade” e critica políticas de alguns governos que “promovem o aborto, por vezes até incentivando a adoção de práticas de esterilização em países pobres” e, assim, impõem “um forte controle dos nascimentos”. O documento cita a encíclica Caritas in veritate, publicada em 2009 pelo papa Bento XVI.

O texto se baseia no magistério dos últimos quatro papas. O documento mais antigo a que faz referência é Gaudium et spes, do Concílio Vaticano II, promulgada por são Paulo VI em 7 de dezembro de 1965. O documento tem também contribuições de são João Paulo II, que lançou fundamentos decisivos na área da família e da doutrina social da Igreja, especialmente na Familiaris consortio (1981) e na Sollicitudo Rei Socialis (1987).

O documento cita também ensinamentos do papa Francisco, que exorta na Evangelii gaudium (2013) por uma Igreja “em saída”, centrada na proclamação do Evangelho e próxima das periferias humanas. Essa abordagem pastoral é aplicada à vida familiar na Amoris laetitia (2016), que fala sobre a importância do discernimento e do acompanhamento.

“Isso leva a um número incalculável de crianças que nunca nasceram, crianças às quais foi negado o direito ao principal dom da criação, o dom da própria vida”, lamenta a Santa Sé.

Tentativas de anular a diferença sexual

O texto diz que esse fenômeno também ocorre “quando a sociedade é perturbada pelas tentativas de “cancelar a diferença sexual, porque já não sabe confrontar-se com ela” (LS 155)”.

Diante dessa realidade, o documento exorta as pessoas a concentrar a atenção em outros fatores que diz ser verdadeiramente prejudiciais, como o consumismo extremo, a poluição, a cultura do descartável e o desejo de exercer poder absoluto sobre o corpo humano por meio de sua manipulação, facilitado pelos recentes avanços tecnológicos.

O texto diz que essas tendências ocorrem quando “não é respeitado o direito à vida e à morte natural, se se tornam artificiais a concepção, a gestação e o nascimento do homem, se são sacrificados embriões na pesquisa”, e quando governos “trabalham ativamente pela difusão do aborto, promovendo e práticas de esterilização em países pobres” e impõem “um forte controle dos nascimentos”.

A importância da educação sexual

O texto diz também que a educação integral dos filhos pelos pais deve ter instruções sobre amor e sexualidade. “Esse tema está sendo objeto de muitos debates, muitas vezes causando conflitos entre escolas e famílias quando se trata de decidir o que ensinar”, diz o documento de 78 páginas, publicado ontem.

A Santa Sé diz que as pessoas não devem esquecer que “aprender a aceitar o próprio corpo, a cuidar dele e a respeitar os seus significados é essencial para uma verdadeira ecologia humana”, pois “a aceitação do próprio corpo como dom de Deus é necessária para acolher e aceitar o mundo inteiro como dom do Pai e casa comum”.

Em termos práticos, o documento incentiva as famílias a assumirem a responsabilidade de educar seus membros, promovendo conversas adequadas à idade “sobre a necessidade de cuidar de pessoas em dificuldade dentro da família; sobre beleza, dignidade e o significado da sexualidade humana”.

Sugere-se também o envolvimento com a escola local, promovendo melhorias ecológicas tanto nas instalações quanto no conteúdo educacional, ou iniciativas como hortas escolares e o aprendizado de botânica.

Ecologia integral na vida familiar

O documento, intitulado A Ecologia Integral na Vida da Família, foi elaborado em conjunto pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral e pelo Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. Segundo seus autores, ele é fruto de um trabalho colaborativo que envolveu teólogos, consultores e casais.

O documento oferece ideias práticas e conselhos para indivíduos, famílias e grupos religiosos sobre como lidar com os desafios ambientais atuais e promover o desenvolvimento integral de cada pessoa. A primeira parte apresenta conceitos fundamentais baseados nos escritos mais significativos do papa Francisco.

A segunda parte, o núcleo do documento, está estruturada em torno de sete temas inspirados na encíclica Laudato si’: ouvir o clamor da terra; ouvir o clamor dos pobres e vulneráveis; adotar e promover uma economia ecológica; fomentar estilos de vida sustentáveis; promover a ecologia integral na educação; fortalecer a espiritualidade ecológica na família; e promover a participação das famílias na vida comunitária.

Cada capítulo está estruturado em quatro seções: explicação do tema, implicações concretas, questões para reflexão e debate e ações propostas. Entre elas, são levantadas questões como: “A nossa família já notou situações em que os recursos naturais são usados (…) de uma forma que provoca ou exacerba tensões ou desigualdades sociais?” ou “já tentamos, de alguma forma, avaliar o nível dos consumos em nossa família e nossa casa?”.

Evitar o desperdício e usar o transporte público

O texto tem também recomendações específicas, como ensinar as crianças a “respeitar e cuidar dos animais”, “evitar o desperdício de alimentos ou de eletricidade”, usar “o transporte público com mais frequência”, avaliar “opções de baixo custo para isolar termicamente sua casa” ou separar corretamente o lixo doméstico.

Por fim, o documento insta à participação em projetos comprometidos “com assistência e solidariedade, com foco especial para as pessoas em situação de vulnerabilidade, como membros de comunidades indígenas, refugiados, migrantes, crianças em situação de risco, famílias que passam por dificuldades ou luto, e pessoas não alfabetizadas”.

Também levanta questões sobre o papel educativo dos pais e as tensões que enfrentam ao transmitir valores de sobriedade numa cultura marcada pelo consumismo e pela pressão social.

“Os pais que buscam ensinar sobriedade e um estilo de vida simples, podem ser vistos como rígidos ou como ignorando o marketing e a pressão dos colegas. Como os pais podem ser apoiados nessa luta?”, diz o texto.

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