Acidigital
Neste primeiro domingo da Quaresma (22), o papa Leão XIV exortou os fiéis a darem “espaço ao silêncio” neste tempo de graça, silenciando “um pouco as televisões, os rádios, os smartphones” para ouvir mais a Deus e praticarem “generosamente” a “oração” e as “obras de misericórdia”.
“Dêmos espaço ao silêncio: silenciemos um pouco as televisões, os rádios, os smartphones. Meditemos a Palavra de Deus, aproximemo-nos dos Sacramentos; escutemos a voz do Espírito Santo, que nos fala ao coração, e escutemo-nos uns aos outros, nas famílias, nos locais de trabalho, nas comunidades”, pediu o papa.
Leão XIV apareceu na janela do seu escritório privado no Palácio Apostólico do Vaticano para oração dominical do Ângelus, depois de celebrar a missa na basílica do Sagrado Coração de Jesus, no centro de Roma, onde fez sua visita pastoral.
Antes da oração do Ângelus, o papa pediu aos fiéis para dedicarem “tempo a quem vive sozinho, especialmente aos idosos, aos pobres e aos doentes”, renunciem “ao supérfluo” e partilhem o que pouparem “com quem carece do necessário”.
Sobre o significado da Quaresma, Leão XIV disse que este tempo é “como um itinerário luminoso no qual, com a oração, o jejum e a esmola, podemos renovar a nossa cooperação com o Senhor ao realizar da obra-prima única da nossa vida”.
“Trata-se de permitir que Ele remova as manchas e cure as feridas que o pecado pode ter causado nela”, disse o papa. “E de nos comprometermos em fazê-la florescer em toda a sua beleza até à plenitude do amor, fonte exclusiva da verdadeira felicidade”.
Ao comentar o Evangelho de hoje, que narra o momento em que Jesus é conduzido pelo Espírito ao deserto, onde é tentado pelo diabo depois de jejuar durante quarenta dias, o papa ressaltou que lá, o Cristo “sente o peso da sua humanidade”, seja “a fome, sob o plano físico, e as tentações do diabo, sob o plano espiritual”.
“Trata-se, sem dúvida, de um percurso exigente”, disse o papa alertando que “o risco é desanimar ou deixarmo-nos seduzir por formas de gratificação menos árduas, como a riqueza, a fama e o poder”.
“Estas, que também foram as tentações que Jesus enfrentou, são, no entanto, apenas míseros substitutos da alegria para a qual fomos criados e, no final, deixam-nos inevitável e eternamente insatisfeitos, inquietos e vazios”, destacou Leão XIV.
Incentivando a prática concreta da penitência, o papa citou o ensinamento do papa são Paulo VI que ensinou “que a penitência, longe de empobrecer, enriquece a nossa humanidade, purificando-a e fortalecendo-a no seu movimento em direção a um horizonte que tem “como finalidade o amor e o abandono no Senhor””.
“Assim, a penitência, ao mesmo tempo que nos torna conscientes das nossas limitações, dá-nos a força para as superar e, com a ajuda de Deus, viver uma comunhão cada vez mais intensa com Ele e entre nós”, reforçou Leão XIV.
Citando santo Agostinho, o papa também pediu para que a vida diária seja mais simples, abrindo espaço ao encontro com Deus.
“Como diz santo Agostinho, “a nossa oração, feita com humildade e caridade, com jejum e esmola, com temperança e perdão, distribuindo coisas boas e não retribuindo na mesma moeda as más, afastando-nos do mal e fazendo o bem”, alcançará o Céu e nos dará paz”, destacou o papa.
“Confiemos o nosso caminho quaresmal à Virgem Maria, Mãe que sempre assiste os seus filhos nas provações”, finalizou.





