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Leão XIV alerta contra diluir a fé para tornar o cristianismo mais atraente

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Acidigital

O papa Leão XIV alertou hoje (28) contra a tentação de diluir “o conteúdo” ou diminuir “as exigências” da vida cristã torná-la mais “atraente”.

“Não é certamente diluindo os conteúdos e suavizando as exigências que se pode tornar o cristianismo atraente, mas testemunhando com humildade e coragem o caminho, a verdade e a vida que converteu e santificou tantas pessoas”, disse o papa ao se encontrar com membros do Dicastério para a Evangelização – seção para as Questões Fundamentais da Evangelização no Mundo – que acabavam de concluir sua Sessão Plenária.

Segundo a constituição apostólica Praedicate evangelium, é responsabilidade do órgão estudar as questões fundamentais da evangelização e promover uma proclamação eficaz do Evangelho, identificando os modos, os instrumentos e as línguas adequadas.

Indiferença religiosa

O papa falou sobre a crise de fé que levou à indiferença religiosa generalizada, especialmente nos países ocidentais. “A fé, para muitos, parece já não ter relevância na própria vida”, disse ele.

Leão XIV também alertou sobre um “perigo subjacente”, nem sempre percebido “em toda a sua gravidade”: a perda do impulso em direção ao que é mais propriamente humano, ou seja, “a busca do sentido”.

“As grandes questões existenciais permanecem sem resposta, enquanto se alastra uma cultura tecnológica que deveria responder a todas as exigências”, disse o papa, em consonância com a crítica à confiança cega na tecnologia que também faz em sua primeira encíclica, Magnifica humanitas.

Leão XIV disse que a transmissão da fé “necessariamente” envolve o encontro com pessoas e comunidades que expressam a alegria da fé cristã e a coerência de um estilo de vida evangélico.

O papa disse que “merece grande atenção a forte procura de espiritualidade que, sobretudo entre os jovens, vai ganhando terreno e que se manifestou de modo evidente por ocasião do Jubileu dos jovens”.

“A nova geração não se fecha ao Evangelho; pelo contrário, muitos, quando o redescobrem, desejam conhecê-lo melhor, porque percebem que nele se esconde o segredo para serem verdadeiramente felizes”, disse ele.

Leão XIV disse que a evangelização deve enfrentar as mudanças nas condições e dinâmicas da transmissão da fé entre gerações. “Em algumas regiões do mundo, esta transmissão está praticamente interrompida, o que exige a capacidade de assumir novos desafios”, lamentou.

Falta de instrumentos para poder “amadurecer”

“As causas desta situação são conhecidas e múltiplas; o que daí resulta é, de qualquer maneira, nas gerações mais jovens, uma pobreza espiritual, uma carência de motivações e de instrumentos para poderem amadurecer em plena liberdade aquela adesão à fé que dá sentido à vida”, disse o papa.

Nesse contexto, ele disse que o clima cultural de sociedades “hipermediáticas e consumistas” diminui a capacidade de aprender com paciência e de trilhar com afinco um caminho pessoal de verdade, com perseverança e pensamento crítico. “Cada mensagem corre o risco de ser entendida como uma opinião entre tantas”, disse Leão XIV.

Para tornar Deus “credível neste mundo”

Leão XIV citou a obra do papa Bento XVI, A Europa na Bento na Crise das Culturas, livro que reúne palestras e ensaios do autor, no qual o então cardeal Joseph Ratzinger analisa a crise de identidade europeia.

“Precisamos de homens que mantenham o olhar fixo em Deus, aprendendo daí a verdadeira humanidade. Precisamos de homens cujo intelecto seja iluminado pela luz de Deus e a quem Deus abra o coração, para que o seu intelecto possa falar ao intelecto dos outros e o seu coração possa abrir o coração dos outros. Só através de homens que são tocados por Deus é que Deus pode regressar aos homens» (A Europa de Bento na crise das culturas, Siena 2005, 63-64)”, disse ele.

Citando novamente Bento XVI, Leão XIV disse que são necessárias pessoas que, “através de uma fé iluminada e vivida, tornem Deus credível neste mundo”.

Em seu discurso, o papa também agradeceu ao dicastério pelo trabalho realizado no Jubileu do ano passado e disse que o mundo tem, “mais do que nunca, sede de esperança”.

“Deseja viver na paz e na certeza de que o empenho para construir uma cidade digna dos filhos de Deus não só é possível mas real, porque repleto de uma esperança que oferece objetivos verdadeiros, não ilusórios”, disse ele.

A proclamação do Evangelho que infunde esperança não é uma proposta “utópica”

Leão XIV disse que a evangelização deve continuar sendo a “motivação fundamental” de toda a ação da Igreja, tanto universalmente quanto nas comunidades locais. “O anúncio do Evangelho, que infunde esperança, não é uma proposta utópica: é um testemunho que atrai na medida em que manifesta o chamamento ao amor e à verdade”, disse ele.

Sobre isso o papa disse que “ninguém” pode substituir a Igreja nesta missão, “tão urgente quanto necessária a fim de assegurar alicerces fiáveis para o futuro da humanidade, para que seja um futuro de paz, de justiça, de liberdade, de fraternidade”.

Por fim, Leão XIV falou sobre a importância da catequese, que, segundo ele, “caracteriza de modo determinante a vida da Igreja no seu empenho formativo e de transmissão da fé”. Sobre isso, ele disse que é “devida uma atenção especial aos catecúmenos, que em número cada vez mais significativo pedem o Batismo”.

“Um cuidado semelhante deve ser reservado aos jovens e às jovens que recebem o sacramento da Confirmação”, concluiu o papa. “Encorajo as múltiplas iniciativas que os acompanham na prossecução do caminho de fé para o seu crescimento humano e cristão”.

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