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A nova presidente do Peru, Keiko Fujimori, jurou ontem (28) reconhecer “a importância da Igreja Católica na formação cultural e moral do Peru” e anunciou uma política para melhorar a qualidade de vida dos peruanos “da gestação à velhice”.
Fujimori — eleita numa eleição acirrada que exigiu um segundo turno — assumiu o cargo numa sessão solene no Congresso da República de Peru, em que recebeu a faixa presidencial para o mandato de 2026-2031. Ela é a primeira mulher eleita pelo voto popular para governar o país.
A cerimônia teve a presença de autoridades de vários países, como o rei Felipe VI da Espanha e os presidentes Javier Milei, da Argentina; Rodrigo Paz, da Bolívia; José Antonio Kast, do Chile; Daniel Noboa, do Equador; Santiago Peña, do Paraguai; Yamandú Orsi, do Uruguai; José Raúl Mulino, do Panamá; e Nasry Asfura, de Honduras. O primeiro-ministro de Aruba, Mike Eman, também esteve presente.
“Eu, Keiko Sofía Fujimori Higuchi, juro por Deus, pela pátria e pelos Santos Evangelhos exercer fielmente o cargo de presidente da república que a nação me confiou para o período de 2026-2031”, disse ela no início de sua cerimônia de posse.
A presidente jurou então defender “esta terra, a soberania nacional, a liberdade, a democracia e a independência dos poderes do Estado”, e defender e fazer cumprir a Constituição e as leis do Peru.
“Juro salvaguardar a integridade física e moral de todos os peruanos, especialmente daqueles que foram historicamente marginalizados”, disse ela.
Concluindo seu juramento, Fujimori fez referência explícita à Igreja: “Juro que, respeitando a liberdade de culto, reconhecerei a importância da Igreja Católica na formação cultural e moral do Peru e trabalharei incansavelmente por um país seguro, próspero e unido”.
“Dou graças a Deus”
Em seu primeiro discurso ao país, Fujimori disse que assumiu a presidência com “profunda humildade” e “com o coração cheio de fé no destino de nosso país”.
“Agradeço a Deus e coloco em Suas mãos o trabalho que iniciamos hoje a serviço do Peru”, disse ela.
A nova presidente pediu a Deus “sabedoria para decidir, força para perseverar” e ajuda para “nunca esquecer que o poder só encontra significado quando é exercido para servir”.
Fujimori disse que pronunciou diante de Deus, “perante a história e perante todos vocês”, “o juramento mais sagrado que um cidadão pode assumir”: defender a Constituição, proteger as liberdades e dedicar cada dia ao bem-estar do país.
Cuidados “da gestação à velhice”
Apresentando as prioridades de seu governo, Fujimori disse que um de seus objetivos nacionais seria “melhorar a qualidade de vida de todos os peruanos, da gestação à velhice”.
Para atingir esse objetivo, ela prometeu aprovar “uma política abrangente de proteção para a primeira infância, a infância, a adolescência e a família”.
“Vamos reorganizar os programas sociais e os serviços públicos que atualmente estão dispersos, a fim de construir um verdadeiro sistema de proteção abrangente, com cobertura universal e atendimento contínuo em todas as fases da vida”, disse.
“Proteger nossas crianças e fortalecer suas famílias será proteger o futuro do Peru”, disse ela.
Pobreza, segurança e liberdade de expressão
A presidente descreveu o estado do país que herdou como “complexo e doloroso”, marcado pela corrupção, insegurança, deficiências na saúde e profundas desigualdades sociais.
Fujimori disse que três em cada dez peruanos não têm certeza de ter comida suficiente diariamente e que 35% das crianças entre seis e 35 meses sofrem de anemia, algo que ela disse ser “verdadeiramente imoral”.
Em termos de segurança, ela anunciou o fortalecimento da Polícia, o uso temporário das Forças Armadas em estados de emergência e uma reforma penitenciária para que as prisões “voltem a ser centros de detenção e não centros de operações do crime organizado”.
Entre seus anúncios econômicos está o aumento do salário mínimo vital — o salário mínimo mensal — para 1,3 mil soles (R$ 1.962,41).
Fujimori também reafirmou seu compromisso com o “respeito absoluto pela independência dos poderes, pelas liberdades individuais, particularmente a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa”.
Por fim, ela apelou às forças políticas da oposição para que construam pontes de diálogo e pediu que pensem “nas próximas gerações e não nas próximas eleições”.
“Não existem dois Perus diferentes; existe só um Peru, vibrante, multicultural, forte e ancestral, que está pronto para se levantar”, disse Fujimori.
O cardeal Castillo apela à reconciliação com a justiça
Horas antes da posse, o arcebispo de Lima, cardeal Carlos Castillo Mattasoglio, primaz do Peru, rezou a tradicional missa e o Te Deum pelo 205º aniversário da independência do país na catedral de Lima.
Em sua homilia, segundo a agência de notícias ANDINA, o cardeal exortou as pessoas a superar as divisões por meio da justiça, da solidariedade e da busca do bem comum.
“O nosso Deus quer que sejamos unidos e justos, não com uma reconciliação para encobrir os erros que cometemos, mas uma reconciliação que, reconhecendo claramente as injustiças que cometemos, saiba como fazer justiça e reparar os danos causados a todos os que foram prejudicados”, disse.
O cardeal Castillo disse que o Peru atravessa uma situação “catastrófica”, não principalmente por causa de seus indicadores econômicos, mas porque “a dignidade humana e sua condição estão em grave perigo”.
Diante dessa realidade, ele defendeu a promoção de iniciativas de reconciliação, pacificação e diálogo, e um processo de conversão visando à reconstrução do país com base na justiça, na solidariedade e no bem comum.





